Slide

PUBLICIDADE 728X90






desfile da coleção primavera/verão masculina 2020 da Yves Saint Laurent.



 A coleção foi apresentada na praia de Malibu, na California e é a segunda do setor masculino da grife que leva a assinatura do diretor criativo Anthony Vaccarello, já responsável pelo feminino da Saint Laurent. O estilo bem característico do designer -- com um pé no rock and roll e os dois na sensualidade -- se fez perceber, mas trazendo também elementos clássicos da maison, fundada em 1961. Um revival dos anos 70 (auge da grife sob comando de Yves Saint Laurent) e o estilo boho -- que vem ressurgindo aos poucos entre as trends atuais -- é uma assinatura da maison, por exemplo. Aspecto mais marcante da apresentação, a fluidez de gênero fez com que desejássemos um monte de looks e tendências desfiladas tanto por homens quanto por mulheres. A moda sem gênero, aliás, não é uma novidade. Basta ver os figurinos dos astros do rock da geração de Saint Laurent, que tem tudo a ver com o olhar de Vaccarello, mas numa versão 2019.

As tendências mais desejadas desta temporada 

A coleção era primavera/verão 2020, mas as tendências mais desejadas das passarelas do inverno 2019 estavam todas presentes na coleção. A calça de couro, por exemplo, apareceu inclusive em um look "feminino". Vacarello é comercialmente inteligente e mostrou itens como a capa do inverno, o veludo na alfaiataria (em calças ajustadas de corte impecável: a alfaiataria é um dos fortes do designer), os vestidos curtinhos com direito a transparência e brilho, as plumas (queridinhas dos tapetes vermelhos atuais).

Resgate da década de 70 

Além dos hits do momento, a coleção resgatou o boho (aquele visual meio hippie chic) com pegada étnica que tem a cara da grife (O estilista Yves Saint Laurent tinha uma relação de amor com o Marrocos). Looks como o de túnica branca com chapéu de palha são um prenúncio do que vem por aí quando as temperaturas voltarem a aumentar. Atenção também aos (muitos) acessórios, que trazem um toque artesanal à produção. 


Famosos na primeira fila 

Para completar o show, uma primeira que levou ao evento famosos como o casal Miley Cyrus e Liam Hemsworth (lindos!), o ator Keanu Reeves e a top model e noiva de Justin Bieber, Hailey Baldwin . Confira mais das tendências na nossa galeria e comece, desde já, a pensar nos looks que vai querer usar nesta e nas próximas estações.



Custo Ambiental 

Para apresentar seu desfile masculino de Verão 2020, a Saint Laurent levou seu público para a cidade praiana de Malibu, especificamente a uma praia mais preservada e escondida chamada Paradise Cove. O cenário da praia ao entardecer encostada em grandes rochas resultou em imagens lindas que correram nossos feeds.
Porém, poucos dias após o desfile, que aconteceu dia 6 de junho, a Saint Laurent começou a ser bombardeada por moradores e autoridades da região por ter, aparentemente, violado uma série de regulamentações ambientais. Uma matéria publicada no Vogue Business traz à tona uma questão delicada e que também precisa ser revista nesses momentos de transformação: o impacto que os desfiles deixam, especialmente quando ocupam locais na natureza.



Malibu é uma das regiões mais sérias dos Estados Unidos em relação a sustentabilidade, com padrões ainda mais rigorosos do que a Califórnia, que já é ambientalmente progressiva. Por exemplo, sacolas plásticas de compras são proibidas e a iluminação da cidade é limitada para que os moradores possam ver as estrelas à noite e a vida selvagem não se confunda com as luzes artificiais. Essa nova lei chama-se dark sky e está efetiva desde o ano passado.
A Saint Laurent não obteve permissão do governo local para fazer o evento e ainda assim deu voltas e conseguiu uma aprovação solicitando uma permissão de filmagem de um empreiteiro da cidade. As solicitações de filmagem, ainda que com supervisão, são mais fáceis de conseguir devido a proximidade com a indústria de cinema de Hollywood. “Há muitos, mas muitos players confiáveis na indústria do cinema e que empregam muita gente. Mas é uma pena quando alguém tira vantagem disso”, disse Skylar Peak, da prefeitura da cidade, ao Malibu Times. “Meu entendimento é que eles pediram uma permissão de evento, que foi recusada; então eles vieram pela porta lateral com uma permissão pra filme”. 



Com o desfile, os residentes da cidade começaram a ouvir que pedaços do cenário foram arrastados pelo mar e que o evento estava repleto de plásticos, incluindo garrafinhas de água com a marca Saint Laurent Paris, além dos sacos de plástico carregados de areia que são proibidos. E apesar da dark sky, que regula a intensidade e direção das luzes da cidade, a marca ergueu torres de luzes super potentes sobre a praia. Uma espécie de peixe da Califórnia, o grunion, iria fazer sua desova na areia naquela noite.
O impacto ambiental do evento foi manchete local em parte devido ao número de ambientalistas famosos na cidade, que procuraram proteger sua ecologia.
Uma delas é Kelly Chapman Meyer, moradora de Malibu, que fez a mensagem chegar aos ouvidos de François-Henri Pinault, presidente do grupo Kering, dono da Saint Laurent. Kelly é membro do Conselho Nacional de Defesa dos Recursos e foi uma das primeiras defensoras na questão do aquecimento global na região. Ela também vem a ser casada com Ron Meyer, vice-presidente do conglomerado de mídia NBCUniversal. Em um encontro de líderes em Idaho, Ron cruzou com Pinault e os dois tiveram uma breve conversa sobre o assunto. Tanto a Saint Laurent quanto o Kering ainda não se pronunciaram oficialmente.

A Saint Laurent pertence ao grupo Kering, que tem feito movimentos importantes em relação a sustentabilidade, diversidade e igualdade de gênero e racial. A empresa publica uma declaração anual de ganhos e perdas ambientais em suas operações e emprega um diretor de sustentabilidade que é engenheiro e ex-funcionário do governo francês. Fazer um desfile em uma área protegida pela Marinha sem autorização da prefeitura não combina com o discurso do grupo.
Mas o desfile da Saint Laurent, independente de ter causado danos ambientais, é uma janela que se abre para os shows que acontecem em locações inusitadas. Por um lado, podem significar uma experiência inesquecível para quem assiste, além de render as belas imagens que irão rodar nossos feeds e ficar na nossa memória.
Por outro, precisamos nos lembrar que, ao ver um desfile na natureza, por exemplo, esquecemos que do outro lado da passarela há uma estrutura inteira montada de camarins, passarela, cenografia, festa para receber a equipe formada por modelos, time de design, produtores, costureiras, fotógrafos, cinegrafistas, PRs, jornalistas, catering, cenógrafos, DJ… Com certeza, perto de umas 100 pessoas ou mais trabalham em um desfile desse porte, sem contar os convidados.
Quem tem chamado atenção para isso é Isabelle Lefort, fundadora da Paris Good Fashion, organização que busca tornar as semanas de moda da cidade mais sustentáveis. Ela chama atenção especial para o excesso de garrafas e copos de plástico que são consumidas, a quantidade de convites impressos e deixados de lado, e para os muitos espelhos e madeira usados (e que muitas vezes são descartados após o show). Um espelho quebrado na praia seria uma surpresa bem desagradável para os frequentadores.
Estilistas e marcas não precisam deixar de pensar em lugares especiais para seus desfiles. A chamada é para uma mudança de atitude – deve-se respeitar os princípios locais. Uma comunidade que é construída em torno do oceano e da natureza tem suas próprias regras e quem vem de fora precisa bater na porta antes de entrar. Hoje esse tipo de atitude, faço o que quero como quero, não cabe mais.
PONTO DE VISTA:




No nosso ponto de vista, o desfile realizado pela marca Yves Saint Laurent em Malibu, em Junho para o Verão 2020 trouxe riscos desnecessários a estrutura local que apregoa a conservação, manutenção e sustentabilidade dessa praia, uma vez que a ideia inicial da solicitação dos organizadores seria a gravação de um filme e não havia licença para a montagem de um desfile. Leis locais foram quebradas ocasionando uma desarmonia e um desequilíbro ambiental, pois houve a utilização de plásticos, grandes iluminações artificiais, entre outros, além de que naquele dia, haveria a desova de um peixe, que não ocorreu devido o uso exacerbado de placas luminosas de origem artificial. 
Tal atitude compromete a credibilidade do nome de grandes marcas, pois o planeta e o sistema atual pedem responsabilidade direcionada a conservação em todos os aspectos de cenários ameaçados pelo descuidado e desrespeito a determinações criadas para que permaneçam intactos. 



Compartilhe o post com os amigos
Blogger Widgets

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *