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A 52ª edição do SPFW foi marcada por um formato inédito com diversas marcas desfilando de maneira física e digital - lá na gringa o recurso ficou conhecido como phygital! Ao longo da semana, mais de 50 criativos investiram em diferentes perspectivas da modamostrando a resiliência e a força brasileira, experimentando novos caminhos, trazendo inovações.  

Além disso, essa temporada trouxe mais diversidade de estilistas e grifes, dando oportunidades para novos nomes emergirem no cenário nacional. As passarelas foram inundadas por criações divertidas, elegantes e com muito propósito. De olho no que foi destaque do evento, L'Officiel lista abaixo três tendências para você copiar já!

Tons poderosos

Se durante a quarentena voltamos nossas vontades para o conforto e looks mais fáceis, o verão 2022 promete uma explosão de cores - e em tons fortíssimos! No SPFW, marcas e estilistas não economizaram com criatividade na hora de desenhar os looks de suas coleções. Aqui a regra é clara: quanto mais chamativo, melhor.

Trabalhos manuais

A pandemia acelerou diversos processos, entre eles, o retorno dos trabalhos manuais. Muitas pessoas experimentaram diversas atividades, como macramê, crocê, tricô... Logo, é bastante natural observar essas técnicas nas passarelas do SPFW. O slow fashion ganha cada vez mais espaço, com a valorização dos processos de criação e produção, e não apenas o resultado final em si.



Pele à mostra

Hora de colocar o moletom de lado e apostar na montação! Com as altas temperaturas do verão 2022 chegando, nada melhor do que investir em peças mais refrescantes. A pele à mostra pode ser com pequenos decotes e recortes, dando espaço a uma sensualidade nada óbvia. O jogo de esconde-mostra é um dos grandes recursos da estação!


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Isaac Silva

Encerrando o ultimo dia de SPFW, Isaac Silva coroou com festa uma temporada marcada pelo ápice de uma discussão sobre representatividade e equidade racial na moda brasileira. Uma conversa que não é de hoje, mas alcançou altos volumes nos últimos anos — e deu resultado em outros olhares, como o Projeto Sankofa, que inseriu uma série de novos nomes da criatividade preta nacional dentro do calendário. Grande representante dessa discussão, ainda quando esta semana de moda começou a acordar para o assunto, Isaac abriu caminhos para muita gente e agora, com sua quarta participação no evento, mostra que essa estrada tem que continuar para transformar a indústria da moda de forma geral: brigar é importante, mas também é necessário mostrar que essa potência criativa pode resultar em produtos. 



Com cores da Bahia, a coleção gira ao redor da sua segunda collab com as Havaianas — uma parceria que deu certo ao ponto de se tornar a primeira a ganhar atenção do mercado internacional da gigante das sandálias. Além dos calçados, o estilista criou para ela uma linha de moda praia com estampas solares, que nem chegou às lojas e já está sold out. A psicodelia veranil soteropolitana também marca a coleção de roupas confortáveis, seja nas batas ultracoloridas ou na série de malhas coladas ao corpo, em patches de tons. Tudo de olho num público jovem e animado, que voltou a encher os corredores do evento como há muito tempo não se via e está em vias de acabar de mudar o mundo.


Apartamento 03

Luiz Claudio Silva é um daqueles criadores que gostam de uma passarela e sabe brilhar dentro dela como poucos, ainda que quietinho, na dele. Não é de se espantar, então, que durante as temporadas pandêmicas dos desfiles digitais, ele não tenha ficado muito feliz pelo desafio ter que mostrar suas coleções em vídeo — que, como ele mesmo diz, achata as roupas. Adaptou-se a essa situação, mas manteve um olho no futuro, com vontade desse retorno (ainda que não soubesse com certeza se ele aconteceria ou, mais importante, se sua arte faria sentido nesse novo mundo). Tanto que esta coleção da Apartamento 03 olha para um movimento de cura, tão estentóreo quanto poderia ser e com o casting que sempre quis reunir, incluindo a ex-BBB Camilla de Lucas, estreante no catwalk. Fugindo daquele achatamento, Luiz constrói uma série de silhuetas e sobreposições que se apegam a movimentos, volumes e tudo o que a vida aqui fora pede — relendo, inclusive, ideias que introduziu nos vídeos anteriores. Sua alfaiataria dá assunto a paletós e vestidos imponentes, franjas, estamparia com sua própria letra e bordados brilhantes que convivem com momentos mais minimalistas.



 Em parceria com a carioca Prebay, constrói momentos cobertos de palha, ultrabrasileiros e que enchem os olhos de qualquer apaixonado por moda como ele. Em contraponto com a secura desse material, trouxe para junto o talento do artista plástico paraense Labo Young, que assina as intervenções feita com folhagens e mostra que a cura, para além das câmeras, não pode acontecer sem o contato com a natureza.



Angela Brito

@angela_d_brito nunca renegou as origens no seu trabalho como estilista. Mas foi graças à pandemia que, por conta da fronteiras aéreas fechadas, passou meses na casa da família em Cabo Verde — o maior tempo desde que emigrou, radicando-se no Rio de Janeiro. Esse mergulho forçado, mesclando o passado e o futuro tortuoso que se apresentava, deu nesta coleção de retorno presencial da @angelabritobrand. Aplicada em uma moda atemporal, Angela não deixa de rever e produzir o que fez em outras temporadas, fazendo sua estética evoluir com calma. Peças anteriores se revelam aqui com outros olhares — “esta camisa, todo mundo odiou quando fiz pela primeira vez e agora ela faz sentido”, diverte-se ela, no backstage, apontando o modelo verde com punhos longos. Essas memórias de modista se mesclam às da família, trazendo especialmente um trabalho “escondido” do pai, fotógrafo diletante que adorava registrar a família. Essas imagens preciosas aparecem em silks e estampas, incluindo o único retrato que restou da avó, impresso no look que abre a passarela. Seus pontos fortes de modelagem seguem ali, desconstruindo vestidos, revendo camisarias e sobrepondo aventais, trabalhando texturas pelo caminho. Aqui e ali, dois ou três rapazes aparecem para provar que o mundo de Angela está mais do que pronto para atravessar fronteiras de gênero — potencial que ela seria muito bem-vinda em explorar mais.


Ésfer

Desfiles de marcas de acessórios são sempre um coringa duvidoso nos calendários de semana de moda. Praticamente todo mundo usa e gosta de novidades na área, mas é uma imensa dificuldade exibir peças minúsculas que pontuam pequenos detalhes pelo corpo. A mineira @esfer, fazendo sua primeira apresentação presencial no @spfw, achou solução interessante ao montar uma pequena arena para poucos convidados, dispostos ao centro e abraçados por um cenário de telões hi-tech, com modelos desfilando próximos aos seus narizes. Funciona para remexer o foco dos olhares, acostumados a dar atenção ao corpo todo e agora forçados a pegar os detalhes. As roupas, produzidas pela própria marca, servem apenas como pano de fundo para as peças — baseadas em discussão sobre a fita de Moebius, conceito matemático e geométrico que resulta em objetos em que o fim e o começo se ligam e se confundem. Entre anéis, brincos e colares prateados, o assunto das superfícies dá em pingentes discretos e em pulseiras bold, que traduzem a conceituação do matemático alemão em belos formatos.



Fernanda Yamamoto

Mais do que uma coleção formal, a apresentação de @fernandayamamoto_loja foi uma performance artística sobre memória e coletividade. Novamente, a estilista se debruçou sobre a temática da @comunidadeyuba, grupo de ascendência japonesa fundada na década de 1930 no interior de São Paulo que segue até hoje exercitando conceitos de autossuficiência. Essa convivência já tinha alimentado uma bela coleção em 2018, mas agora a homenagem parte do acervo da própria comunidade — que manteve grupos artísticos, como teatro e coral, através das décadas. Quimonos que fazem parte dos arquivos de figurinos, feitos nos anos 1960 com materiais como sacos de algodão, foram ressignificados por Fernanda e sua equipe, customizados com bordados e organza de seda — e colocados lado a lado com novas peças, construídas com as técnicas preciosas da estilista. A performance, estrelada por membros que fazem parte da grande família Yuba, faz parte de uma exposição que conta a história da comunidade e fica em cartaz para o público até 5 de dezembro no @centroculturalsp.




Ponto Firme

Liderado por @silvestregustavo, o @projetopontofirme é sempre um dos momentos mais pés no chão do @spfw. Depois de anos realizando oficinas de crochê com homens inseridos no sistema prisional paulistano, o projeto alcança agora um novo momento. O desfile marcou a abertura da Escola Ponto Firme, no Centro de São Paulo, que vem pronta para exponencializar as aulas manuais para pessoas egressas daquela realidade — e servindo também como ponto de venda das peças produzidas por eles e elas. A coleção mostra aos incautos que o potencial criativo ali é imenso e só precisa de um empurrão. O crochê dá forma a peças triviais como bermudas, devaneios conceituais para os modernos e luxuosos vestidos feitos com os pontos cuidadosos — ou até bonés feitos com a técnica, já velhos conhecidos pelas quebradas paulistanas, mas que deixaram boquiabertos o pessoal da moda. Um clash de mundos em que ambos os lados só têm a ganhar.




Misci

Desde que surgiu, a @misci__  de @aironmartin tem se colocado para discutir um viés interessante: como produzir uma moda de luxo olhando para as reais estéticas brasileiras, tão preciosas, mas sem cair na caricatura antropológica? Depois de tanto apresentar suas coleções em formato digital, desde que estreou no @spfw, a marca teve o desafio de botar esse assunto para rodar em um ambiente menos controlado e mais realista: a passarela. No seu primeiro desfile presencial, Airon olhou para a cultura das lanchonetes/botecos, coisa tão nossa que aparece em qualquer cidade do país, para construir sua coleção de alfaiataria urbana. Aquele momentinho fofoca regado a cerveja na cadeira plástica foi dar no fuxico — que batiza tanto a técnica artesanal quanto o bate papo solto entre bffs. O amarfanhado de tecido aparece em tops sexies e nos acessórios, feitos em latão, que foram parar até nos mamilos de @sashameneghel. Mas é a antropofagia das peças mais bem cortadas que brilham de verdade aqui. A Misci, ao lado de colegas como a Neriage, dá prosseguimento a um tipo de moda urbana que outrora foi feita por marcas como Maria Bonita e Huis Clos: elegante, brasileira, com foco nos detalhes e uma predileção por tons terrosos. Esse movimento aparece principalmente na preciosidade dos tecidos desenvolvidos por Airon, reconstruindo texturas desfiadas, e nos recortes que constroem barras sinuosas e encaixes nos conjuntos



Neriage

O poeta brasileiro Manoel de Barros certa vez escreveu que “não amava que botassem data na minha existência”. É a partir da obra dele que a @neriage_ voltou à passarela física para reconstruir sua moda de movimentos e camadas. @rafaellacaniello segue, como Manoel, sem precisar colocar data: suas coleções se comunicam, intercambiáveis, e evoluem a partir de códigos que ela estruturou com o pouco tempo de marca — dos plissados, das calças amplas e casacos fluidos, mesmo que feitos em tecidos mais pesados. A silhueta marcante ganhou companhia de novas texturas rusticizadas — que merecem visitação de perto para ver em detalhes — e a estamparia com trechos de obras de @marthabarros_pinturas, herdeira do escritor.




Lenny Niemeyer 

Os desfiles de @lennyniemeyer sempre estiveram entre os mais aguardados. Desta vez, a expectativa era ainda maior. Para comemorar os 30 anos da marca, o desfile foi no Rio, mas encerrando o @spfw. O local escolhido foi a Cúpula, no Caminho de Niemeyer. Cenário que reúne pilares da grife: arquitetura, arte e natureza. O som do mar foi transportado para dentro da Cúpula, criando uma atmosfera poética para os looks esculturais com volumes moldados em babados estruturados que se moviam lembrando animais marinhos. A conexão com a luz também guia esta coleção, que faz uma retrospectiva futurista de looks especiais para Lenny, pinçados do acervo nos últimos oito meses. Com eles, foi feito um ensaio fotográfico artístico enfatizando efeitos visuais e sombras. Fragmentos viraram estampas abstratas lindas que surgiram ao longo de toda a coleção. O desfile foi dedicado ao estilista Fabio Lemos, que faleceu em setembro deste ano vítima de Covid-19. Ele trabalhava há 8 anos na marca e era muito próximo de Lenny.

  Beijos no Coração ❤

 Editora, Jornalista e Colunista de Moda Noeli de Carvalho e Silva


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