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 As delegações que desfilaram na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio nesta sexta (23) usavam uniformes muito diferentes, que refletiam a diversidade cultural de cada país. No total serão 20 dias de jogos que serão encerrados no dia 8 de agosto, mais de 300 eventos esportivos disputados por aproximadamente 12.750 atletas de 206 países. O Brasil está representado por 301 atletas de 35 modalidades.

PORTA-BANDEIRA- Brasil

O verniz patriota é uma constante na maioria dos trajes olímpicos, tanto os que aparecem nas cerimônias de abertura e encerramento quanto aqueles criados para o dia a dia dos atletas na vila olímpica e nas competições propriamente ditas. O Brasil desponta como exemplo.

Na passarela de hoje, e até o final dos Jogos, os competidores vestirão signos que remetem à natureza e à bandeira brasileira. Além das peças esportivas tingidas de verde, azul e amarelo, confeccionadas pela marca esportiva chinesa Peak Sports, as cores foram coladas nos uniformes casuais lançados pela Riachuelo, outra varejista patrocinadora do time brasileiro.

Nos pés, os atletas calçam um dos maiores ícones do ideal de "soft power fashion" deste lado de cá do Atlântico: os chinelos de borracha Havaianas. A marca do grupo Alpargatas é unanimidade no segmento de "flip flops", como são chamados os calçados de tira, e amealham clientes pelo mundo desde que a empresa tornou o mercado internacional um dos grandes focos do negócio.

 Traje completo da Wöllner, combinado às Havaianas, que foi desfilado na cerimônia de abertura da Tóquio-2020.

Os trajes de gala desta cerimônia são um capítulo à parte. A grife carioca Wöllner venceu um duelo de grifes – não reveladas – promovida pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que elegeu a marca entre outras que submeteram seus projetos para a organização do Time Brasil. Desconhecida pela ala da costura independente, a marca tem seus negócios concentrados na confecção de roupas casuais e, principalmente, na produção de acessórios customizados para empresas.

À ELLE, o fundador da etiqueta e ex-velejador, Lauro Wöllner, explica que os conjuntos de bermuda e camisa estampadíssimos remetem à fauna e à flora amazônica, mas também homenageiam a sede desta Olimpíada ao relacionar o desenho do pirarucu à carpa, peixe que é signo de renascimento na cultura japonesa.

"Fizemos pesquisas nas formas dos quimonos e na imagem das carpas, imaginando modelos de roupas que carregassem essa energia do Brasil, essa coisa de praia e aura solar", diz Wöllner, otimista com a recepção dos modelos pela audiência.

 O ginasta Arthur Nory posa com o look inspirado nas carpas japonesas e na Amazônia para os Jogos Olímpicos.

Divulgação

Para o Brasil, os Jogos devem servir quase como uma faxina, ainda que temporária, na imagem negacionista do governo sobre a pandemia de coronavírus e a devastação dos biomas que o mundo se acostumou a ler no noticiário recente. A bandeira e as medalhas nos pescoços, segundo Wöllner, podem suplantar qualquer pessimismo.

"Que país tem vergonha de levantar a própria bandeira? Devemos parar de olhar pequeno e ver o cenário maior. Daqui a alguns dias, quando começarmos a torcer, todos estaremos levantando-a. Sem querer politizar, quis transmitir [com as roupas] o que de bom a gente merece."

A camisa, que carrega o nome da marca no peito e tem fundo tingido de roxo sobre uma base de algodão, é leve, a pedido do COB, para que os atletas aguentem o calor do verão japonês. Mas, apesar da boa vontade e assim como ocorreu com os trajes criados pela estilista Andrea Marques para a Rio-2016, os da Wöllner foram achincalhados pelo tribunal da internet e comparados ao guarda-roupa espalhafatoso do personagem Agostinho Carrara, da série A Grande Família.

Eles não foram as únicas vítimas desse tipo de patrulha estética. Quando a marca esportiva russa Bosco concebeu os uniformes da equipe da Espanha para Londres-2012, viu-se numa enrascada por causa das peças com elementos gráficos sinuosos, colados em roupas vermelhas e amarelas, apontadas pelos espanhóis como uma tentativa frustrada de recriar a roupa de toureiro.


Para a Tóquio-2020, o comitê trocou a varejista russa pela grife esportiva espanhola Joma Sport, que concebeu os trajes da delegação de seu país com traço minimalista. As linhas diagonais dos fraques foram suavizados e, na cor branca, compõem looks monocromáticos quando combinados ao vestido vermelho com laço para as mulheres e ao conjunto de calça marinho e blusa vermelha para os homens.

O que não fez sentido em 2012 e foi corrigido agora, quase uma década depois, foi a escolha por uma marca estrangeira, um tiro fora do alvo tendo em vista que a Espanha é celeiro de talentos do design e dona de um mercado de moda pujante que vai muito além da Zara.

HERÓIS DA MODA - Italia 

O apreço por nomes icônicos do estilo nacional dá a tônica das escolhas dos comitês organizadores de cada delegação. Numa das mais longevas parcerias entre moda e performance, a Emporio Armani assina mais uma vez os looks da delegação italiana, depois de criar os uniformes do país para as olimpíadas de Londres e do Rio, além de manter parceria com a seleção de futebol.

"Estou encantado com essa parceria renovada, que confirma minha conexão profunda com o esporte", disse o estilista Giorgio Armani em comunicado.

As roupas carregam as três cores da bandeira nacional reproduzidas dentro do formato gráfico do desenho de sol japonês, com três linhas diagonais. Dentro das roupas, há a inscrição Fratelli d'Italia, retirado do hino nacional do país.

Outro ícone da moda que assinou os trajes do time de seu país foi a Lacoste. A delegação da França emulará os quimonos japoneses em parcas, usadas como sobreposição dos looks compostos por bermuda, shorts, calça e, claro, a indefectível camiseta polo com o símbolo do jacaré.

Um dos pontos fortes desta coleção é a mistura rica em grafismos, cores e detalhes dos aviamentos que tiram a obviedade dos trajes e ainda prestam homenagem aos dois países, o da marca e o do anfitrião.

Foto: Divulgação

A delegação do Reino Unido, por sua vez, não usará nesta Olimpíada o athleisure de Stella McCartney, que assinava os looks da delegação e, agora, cede lugar à grife Ben Sherman. Na toada nacionalista que permeia boa parte dos trajes exibidos nestes Jogos Olímpicos, as cores e as linhas da bandeira foram desmembradas nas peças de pegada sessentista.

No forro das jaquetas se vê o leão símbolo nacional e o escrito "força através da unidade", cujo tom se conecta à saída do Reino Unido da União Europeia, em um brexit acordado em janeiro de 2020 após quatro anos de negociações traumáticas tanto para o bloco quanto para os britânicos. O recado não soaria mais óbvio.

Foto: Divulgação

Na mesma toada moderninha a delegação do Canadá que mostrar ao mundo uma outra via estética, o streetwear, que se por um lado é onipresente nas ruas, nunca havia levado os contornos de roupa urbana aos eventos esportivos.

O país fechou parceria com a loja de departamentos Hudson's Bay para apresentar uma coleção incomum de jeanswear, cujas jaquetas receberam pichações e causaram um misto de horror e alegria entre os canadenses pelo teor pouco convencional usado na criação das roupas.

Foto: Divulgação

Mas poucas nações expõem a veia nacionalista tão ao pé da letra como faz os Estados Unidos. Em um espetáculo de calculado verniz de autossuficiência, os americanos ostentam na cerimônia e em todos os eventos desta Olimpíada as roupas criadas e produzidas pela Ralph Lauren.

Talvez a mais americana entre as grifes do país, ela colou o jogador de polo no peito dos atletas em roupas que remetem à indumentária preppy, a subcultura jovem associada aos uniformes das escolas elementares frequentadas pela elite dos EUA.

No melhor estilo Gossip Girl, a delegação passeará com ternos engomadinhos cujos materiais carregam uma tecnologia de resfriamento pioneira, a RL Cooling, que regula a temperatura do corpo a depender da temperatura do ambiente.

Foto: Divulgação

"À medida que nossos atletas olímpicos e paralímpicos se destacam no cenário global neste verão, estamos orgulhosos de ter o apoio contínuo de uma marca cuja abordagem cuidadosa sobre como podem servir nossos atletas beneficia exclusivamente a equipe dos Estados Unidos", disse o vice-presidente da área de produtos para consumo do comitê americano, Peter Zeytoonjian.

A delegação de Camarão foi um deslumbre. Com trajes tradicionais, eles desfilaram em cores preta, rosa, amarela, azul, verde e vermelha. Além disso, passaram com um acessório inusitado: bolsas.

A delegação do Quênia também chamou atenção com uma produção azul e vermelha, bem elegante.


 Há alguns anos os uniformes dos atletas eram praticamente iguais, com exceção das roupas de competição das atletas de ginástica rítmica. Muito competitivos, os americanos começaram a ousar com detalhes e cortes que proporcionassem maior conforto e não interferissem no desempenho dos atletas. Aos poucos, esse diferencial foi percebido como vantagem, levando comitês a questionarem a validade do uso de diferentes vestuários e tecidos, uma vez que nem todas as seleções poderiam ter essa tecnologia à disposição. Os recordes foram sendo quebrados, assim como os paradigmas dos uniformes. Novas regras foram adotadas e patrocinadores entraram no jogo - para valer.  Os desfiles de abertura dos jogos acompanharam todo esse movimento. Ao invés de se procurar pelos atletas destaques de cada país, as pessoas começaram a opinar sobre qual delegação possuía o uniforme mais bonito.

Beijos no Coração 💖

Editora, Colunista e Jornalista Noeli de Carvalho e silva






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