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 Alexander McQueen e Cordel: A suposta apropriação cultural da marca.


Acusações sobre suposta apropriação cultural do cordel nordestino surgiram nas redes sociais. Mas foi o caso?

Na última semana, a coleção de Pre-Fall/Fall 2021 da Alexander McQueen causou a ira dos brasileiros devido a um suposto plágio ou apropriação da cultura nordestina, mais especificamente da xilogravura e da estética do cordel. Diversos comentários na publicação da coleção no Instagram da marca a acusavam de se apropriar da xilogravura e do cordel nordestino e pediam algum tipo de crédito e retratação. 

A marca recebeu centenas de críticas nas redes sociais e milhares de curtidas nos comentários que a acusavam da apropriação, além de posts denunciando o suposto incidente, sobre os quais a marca não se manifestou.comentários no instagram da marca acusando a suposta apropriação. reprodução

  

Em uma série de peças da coleção foram utilizadas técnicas de estamparia que lembram a estética do Cordel, gerando comparações com o trabalho de J.Borges e outros artistas brasileiros. As semelhanças entre a estética usada nas peças e os trabalhos da xilogravura de cordel realmente saltam aos olhos. A fim de tentar encontrar respostas concretas se foi ou não plágio e apropriação, entramos em contato com o Memorial J.Borges (que guarda a obra do mestre J. Borges) bem como outros artistas de Cordel, que não comentaram, mas mesmo assim, decidimos continuar em busca de respostas.

Na mídia e nas redes sociais, a marca descreve as estampas como Papercut (técnica artística de corte em papel) de Hidden London Seals, o que seriam “Selos de Londres”, espécies de emblemas historicamente utilizados na cultura britânica.

No Instagram, o criador de conteúdo Igor Frossard apontou que a marca historicamente já havia feito estampas com esses grafismos e o a técnica do papercut: “Parecia difícil que aquelas formas fossem de xilogravura, alguns desenhos a gente já tinha visto em coleções anteriores. Inclusive esse estilo de arte papercut é utilizado em estampas, rendas e aplicações desde que a marca ainda estava sob a direção do próprio McQueen”.

Em ordem: Alexander Mc Queen, Arte mexicana de Papel Picado e Rob Ryan
  

É verdade: a marca tem uma longa história de trabalhos com impressão de tecidos, rendas e técnicas semelhantes ao papel picado. Os pássaros, bem como o coração e outros elementos, já apareceram em coleções anteriores com os mesmos grafismos, provenientes da impressão sobre o tecido.

As duas primeiras: Vintage Alexander McQueen e a última Fall 2021 Alexander McQueen
 

Para somar à discussão, conversamos com o gravador, xilógrafo e professor Francisco Maringelli, especialista em xilogravura sobre a existência ou não da apropriação e do plágio nesse caso. Maringelli aponta que apesar de existir uma similaridade com a fatura gráfica do cordel e da xilogravura, os elementos não parecem tipicamente da xilogravura de Cordel brasileira. Além disso, Francisco também afirma que os traços não parecem ter a força expressiva do trabalho habitual de J.Borges ou outros artistas de Cordel.

A prática da xilogravura e do Papercut são difundidas em diversas culturas. Por exemplo, quando falamos de xilogravura, é importante considerar a que técnica não é exclusiva do Brasil, apesar do nosso trabalho ser internacionalmente reconhecido. A técnica milenar de pintura em madeira tem uma forte história no Japão, bem como na Europa, principalmente na Alemanha e na França. Essa é uma história que muitas vezes se confunde com a da comercialização do papel e da impressão.

Munakata Shiko, xilógrafo japonês.
 

A cultura brasileira é extremamente rica e apropriações e cópias de fato acontecem, mas esse não parece ter sido o caso da coleção de Sarah Burton para a Alexander McQueen. Enquanto as similaridades com a xilogravura de cordel existem, a compreensão da técnica da arte em papel, os formatos dos elementos e o entendimento que a xilogravura é uma técnica presente em muitas outras culturas nos levam a outras conclusões. As evidências apresentadas não buscam apresentar uma opinião própria ou defesa, mas sim embasar a discussão.

 Balenciaga confirma volta à Alta Costura após 53 anos -

 Demna Gvasalia acredita que a couture será a força motriz da moda novamente por estar livre da produção industrial.

 Quando a Balenciaga retornar à Alta Costura em julho, após 53 anos, ela não estará apenas revelando as primeiras silhuetas de couture do diretor criativo Demna Gvasalia, mas também um novo local: uma versão totalmente restaurada do salão original de couture do fundador Cristóbal Balenciaga.  No que com certeza será um dos hot tickets da Paris Couture Week, a coleção será revelada no dia 7 de julho com um desfile presencial no número 10 da Avenida Georges V, endereço histórico que também deu nomeia um dos perfumes da marca.  O salão de Alta Costura estava fechado há mais de meio século. O segundo andar do edifício foi reformado como uma réplica do espaço original com todas as portas abobadadas, cortinas drapeadas e cadeiras douradas para receber o desfile.  O local muito mais intimista marca uma mudança para a Balenciaga, que vinha apresentando suas coleções de pret-à-porter com desfiles grandiosos e espetaculares realizados em um complexo de estúdios de cinema nos arredores de Paris. A Balenciaga havia planejado inicialmente lançar a linha de Alta Costura em julho de 2020, mas seus planos foram frustrados pela pandemia do coronavírus.  “A couture representa liberdade de criatividade e liberdade na moda. E essa é talvez a razão pela qual eu queria tanto fazer isso ”, disse Demna ao WWD no ano passado. “Acredito fortemente que a Alta Costura pode realmente salvar a moda atual.”  A maison também anunciou que vai desfilar a Couture apenas uma vez por ano e a coleção couture incluirá looks masculinos.  Expectativas foram criadas.

 O Hime Cut é corte de o cabelo cheio de história e hit no K-pop -  O “Corte Princesa” tem história milenar e diversas referências, de dinastias japonesas a animes e mangás.

O corte do momento dos idols de K-pop – e que já vem conquistando adeptos no Ocidente  – ele é caracterizado por uma franja na altura das orelhas na frente e o resto do cabelo longo, como dois cortes em um. O Hime Cut, como é chamado esse corte de cabelo, já foi visto em diversos idols de Kpop, com Rosé do Blackpink e Momo, do grupo Twice, e também chamou atenção das irmãs Haim, que utilizaram o corte de cabelo no Grammy’s, com seus looks inteiramente Prada. Não coincidentemente, o Hime Cut também foi uma das escolhas de Raf Simons e Miuccia Prada para o desfile de Verão 2021 da marca. 

Prada Spring Summer 2021 | Cortesia

VERÃO 2021 DA PRADA  | CORTESIA

Já no TikTok, o novo antro do D.I.Y., a hashtag #HimeCut conta com mais de quatro milhões de visualizações divididos entre vídeos dos usuários reproduzindo o corte em casa. 

O beauty artist Celso Kamura, em entrevista ao FFW, opina: “Pode ser novo pra essa nova geração, mas esse tipo de corte já foi uma febre e nunca saiu totalmente de cena”. “Eu enxergo duas vertentes de beleza pós pandemia. A naturalidade e o over. O over, não no sentido pejorativo e sim no sentido que tem pessoas que vão querer mudar a cara, mudar o look para dar um passo à frente desse período de confinamento”. De fato, as mudanças na beleza no último ano, seja na maquiagem ou no cabelo (quem não lembra das mechas loiras, popularizadas por Dua Lipa e Jennie do BLACKPINK), tem como grande plano de fundo a quarentena e a necessidade de “renovação”. 

Mas, o que pode parecer uma simples tendência do momento é, na verdade, um corte repleto de história e referências, de dinastias japonesas a animes e idols. Hime em japonês significa princesa (apesar de Ojou-sama ser mais utilizado nesses casos), ou ainda, uma garota importante. É daí que surge a origem desse corte de cabelo, há mais de mil anos. 

A origem desse corte de cabelo é no Japão, no período Heian (entre 794 a 1184). As mulheres da nobreza japonesa utilizavam o corte de cabelo ‘Hime’ e variações, como o Amasugi. Ao completar a idade adulta, as mulheres do período cortavam o cabelo próximo de suas orelhas, em uma cerimônia chamada binsugi, o que criava a estética do Hime Cut. 

Mulher japonesa da era Heian, com corte Hime | Foto: Buro My

MULHER JAPONESA DA ERA HEIAN, COM CORTE HIME | ARTE: BURO MY

Se o Hime Cut é tão antigo, por que esse surto de popularidade atualmente? Existem alguns motivos para isso. Historicamente, como parte da cultura japonesa, o corte é reinterpretado e volta à tona com alguma frequência. A idol japonesa Megumi Asaoka popularizou fortemente o corte nos anos 70, que tem ensaiado um forte retorno na cultura pop globalmente. 

Além disso, o Hime Cut também aparece muito nos animes e mangás, dentre eles, o mais recente é Kakegurui (2017), um anime sobre um colégio de jogos, em que a personagem principal, Yumeko Jabami, usa exatamente este corte – o anime foi distribuído internacionalmente pela Netflix, o que ajuda a explicar sua popularidade. Em uma associação mais distante, mas ainda válida, o Hime Cut também se assemelha ao mullet, outro corte de comprimento curto na frente e mais longo atrás.

Kakegurui | Reprodução

KAKEGURUI | REPRODUÇÃO

A lista de idols do K-pop que adotaram o corte de cabelo recentemente é extensa. Para citar algumas: Rosé, do BLACKPINK, Momo, do grupo TWICE e Seeun, do STAYC. 

O fato é que estamos – finalmente – prestando mais atenção nas manifestações culturais dos países do Leste Asiático. Por isso, tendências que antes ficariam restritas a apreciadores de animes e K-pop furam a bolha e atingem a cultura popular por aqui também?

O corte, um pouco ousado, promete aparecer cada vez mais, principalmente no entretenimento, mas, para Celso Kamura, não deve ser amplamente popular: “Acho que pega pra geração mais nova ligada em anime, Naruto e mangá, mas entre fashionistas e os clássicos, não pega não.”

“A ideia de fazer um corte como o Hime é se divertir, é sair do lugar comum. Se você se cansar do Hime,  pode cortar um Chanel ou repicar bem as laterais para que o corte perca esse ‘degrau’ característico”.

 Beijos no coração! 💖

Da Editora, Colunista e Jornalista Noeli de Carvalho e Silva 
Pesquisa e imagens Modelo e Designer de Moda Iana de Carvalho Silva

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