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  O bom humor entra em cena para dar um up no visual, que faz um revival das composições com feminilidade, frescor e muita personalidade.

Depois de um mergulho profundo – e doloroso – dentro de si mesma, Ju Paes sente que a tempestade trouxe uma relva nova, uma Juliana mais consciente dos próprios desejos e de tudo o que fazia com medo de não agradar aos outros. A crise sanitária trouxe um novo senso sobre o que é prioridade e mais coragem para dizer não – e o que é libertador apesar de tantos limites impostos pelo confinamento. A seguir, ela fala sobre como cria os dois filhos meninos em um mundo que grita pelo feminismo, da luta para equilibrar o consumo e a ressignificação de moda, além da decisão de assumir os cachos e ver essa nova mulher brilhar em frente ao espelho.

Veste calça cinza chumbo de tecido leve com abertura nas laterais, camisa branca 3/4 com detalhe bordados nos punhos, que compõe este look total Chloé, e sandálias emborrachadas em tom cinza mais claro, da marca Room.

Ela usa saia branca transparente reta com blusa modelo blazer decotada e  detalhe de botões dourados nos punho, um look total de Goye. Nos pés sandálias amarela da  Louis Vuitton, e anéis por conta da  Esfér.

 L’OFFICIEL Como foi o ano de 2020 para você? 
JULIANA PAES Houve uma fase muito difícil para mim durante essa pandemia. Vivi uma crise de ansiedade que jamais tinha experimentado. E entendi que esses processos nada têm a ver com sucesso, dinheiro, reconhecimento. Têm a ver com um encontro consigo mesmo, com coisas que a gente empurra para baixo do tapete. Fomos obrigados a enfrentar fantasmas íntimos. 
 L’OFF Quais são as mudanças que a pandemia trouxe para a sua vida? 
JP: Deixei de fazer tudo que todo o mundo deixou de fazer: sair de casa, encontrar a família, levar os filhos para a escola. A minha rotina toda foi alterada no começo e foi muito difícil encontrar um norte dentro do caos. A gente esperava uma volta à normalidade, e que até agora não aconteceu. Passei momentos de muita angústia e adquiri novos hábitos durante a pandemia. Comecei a fazer ioga, por exemplo, algo que estava procrastinando há tempos. Como vi que as coisas não voltavam à ordem natural, agarrei-me à prática da atividade. Também passei a fazer personal on-line e retomei a leitura: tinha uma pilha de livros me esperando! E mudei a terapia para o modo virtual, o que me ajudou demais. E o que continuei fazendo, mas talvez tenha intensificado, foram as minhas meditações diárias. Elas eram mais curtas e ficaram mais profundas, às vezes com 40 minutos. Foi fundamental para não perder a paz de espírito e a calma. Claro que isso não me livrou de ter algumas crises de choro e dias difíceis. Mas assim como tive dias angustiantes, também tive dias felizes. Percebi que aquele momento tinha ingredientes especiais com os meus filhos, que eu não estava tendo há muito tempo. Esse chamego com os meus filhos foi muito produtivo.

 Juliana veste blazer com corte moderno com blusa branca de gola alta. A  calça NK acompanha o mesmo corte reto até os tornozelos  e para finalizar sapatos Louis Vuitton pretos com salto tratorado.
 Veste macacão off white da Philosophy na NK, sandálias Louis Vuitton no tom amarelo neon e brincos Lure.

L’OFF Como foi assumir os cachos e ver outra Juliana no espelho? 
JP O meu cabelo já passou por muitas fases. Porém, nunca tive fios lisos, eu sempre tive cachos. Às vezes mais abertos. Porque o cabelo cacheado muda com o tempo, conforme as fases da vida. Sempre soube que meu cabelo era cacheado, mas a minha surpresa foi perceber que a maioria das pessoas não sabia disso. Foi muito bom notar o quanto as pessoas gostaram de ver o meu cabelo natural. A aceitação delas me incentivou a mantê-lo assim. Foi um movimento que se retroalimentou. O público me viu, gostou, e eu gostei de ver a repercussão. Achei importante perceber que as pessoas estavam assumindo os cachos, animadas em fazer uma transição capilar por causa da minha atitude. Mantive-me assim por causa delas, foi um ciclo positivo que se iniciou sem a menor pretensão de criar um movimento. Simplesmente pensei: “Quer saber, eu sou assim!” Foi muito legal ver algumas mães me dizendo que as filhas tinham decidido manter o cabelo cacheado depois disso. E que elas mesmas iriam iniciar uma transição, adiada a vida toda. A minha transição durou cinco anos. Durante esse tempo, o meu cabelo cacheado estava ali, por baixo de extensões, de uma escovinha aqui, outra ali. Tive raiz cacheada e ponta alisada durante muito tempo – coisa que só eu e os mais próximos sabiam. A transição é o momento de coragem. Mas depois que está completa, é muito gratificante.

Juliana está de vestido Alberta Ferretti na Mares, com detalhes bordados trabalhados e um babado nas laterais.


 L’OFF Como você vê a onda de empoderamento feminino? Como participa dela e quais são as suas armas nessa batalha? 
JP Sinto que estamos participando de um momento muito lindo e o mais importante é criarmos o desejo de saber mais. Não só para as mulheres que já fazem parte desse movimento, mas também para as que não entendem o que é ser feminista. Eu já fui essa mulher que não entendia e não fazia parte do movimento. Hoje percebo que sabia pouco. Acho bacana ver um grande número de pessoas querendo entender o que é o feminismo sem tanta resistência. Vejo homens também querendo entender do que se trata. Eles percebem que não é contra eles e sim a favor da equidade e das mulheres. Queremos igualdades em todas as áreas. Igualdade de oportunidades.  Procuro participar disso aplicando tudo ao meu dia a dia, na minha vida íntima, educando os meus filhos, porque acho que são as próximas gerações que vão vivenciar isso de uma maneira mais contundente, que vai fazer diferença de verdade. Sou implacável na educação dos meus filhos nesse ponto, porque percebo que, por mais que existam tantas pessoas olhando para o feminismo, ainda tem muita gente resistente. E os meus filhos não são educados só por mim – sofrem influência da rua, do que escutam na rádio, do que podem escutar dos mais velhos. Afinal de contas, o homem brasileiro é estruturalmente machista. Ou seja, por mais que a atitude machista não tenha uma intenção declaradamente “maligna”, as palavras são ditas, os preconceitos são vociferados, mesmo que de uma forma “doce”. Por isso é uma luta constante, diária. Acho que a frase mais certa nesses casos é: deixem a criança se expressar! Minha luta vai muito nesse sentido. Falo isso também para os meus sobrinhos. O caminho é sutil! Minhas armas nessa batalha vão sempre no caminho do diálogo, não acredito em mensagens agressivas. Já fui até criticada por alguns colegas por isso – por ser muito mansa ou pouco contundente. Acredito que o caminho do afeto, que toca mais o coração, deixa as pessoas que são mais resistentes, mais receptivas. Com isso, você abre um caminho importante. Acho que assim funciona mais do que com palavras duras. Acho que dessa forma consigo tocar um público mais resistente, porque não acredito em “pé na porta”.

 Ju Paes usa suéter branco com joias Esfér sobrepostas e calça pantalona preta longa com corte reto da Bottega Veneta, sapatos Louis Vuitton e joias Esfér. 
De look toltal Balmain com calça jeans claro e blusa branca transparente de manga bufantes e compridas e gola marcante.

 L’OFF Qual é a sua relação com a moda? 
JP Tenho muitas labels favoritas. Mas também ando apaixonada por essa coisa do reúso, ressignificar coisas e poder trocar. Acho que é uma tendência e as marcas precisam lançar um olhar para isso, porque o consumo consciente está falando muito alto e o consumidor está preocupado com o impacto ambiental. Não acho demagogia: a gente pensa duas vezes antes de consumir vorazmente e procura algo que não seja descartável. Acho que essa briga entre o consumo consciente e a paixão por moda está dentro da gente. Está todo mundo descobrindo um novo caminho, de como se comportar diante disso e como agir de forma mais responsável. Ando nessa luta interna. 
L’OFF Você acha que sairemos transformados depois dessa crise sanitária? 
JP Acho que teve um lado da pandemia que fez bem para algumas pessoas e muito mal para outras. E isso não é mérito nem culpa de ninguém. Acho que quem conseguiu olhar para o isolamento como uma oportunidade, conseguiu passar de uma maneira menos turbulenta por tudo isso. O meu pai falava para mim: em toda crise, tem oportunidade, em todo o caos há uma chance de ter um lado bom. Tentei ao máximo ver as coisas positivas, estreitar os laços com os meus filhos, cuidar da minha casa que estava um pouquinho largada. Começar coisas que não estava fazendo. Acho que, de maneira geral, a pandemia serviu para vermos que as melhores coisas da vida são simples. Como um abraço, um mergulho no mar, sol, ar livre. Isso tudo fez falta para a gente e vamos dar mais valor. Só aí acho que já valeu a pena, por essa reflexão.

Juliana usa vestido preto com costas nuas e detalhes de aviamentos em verde neon da Bottega Veneta e brincos de pérola da Lure.

 Juliana veste look total Louis Vuitton, a blusa com gola alta e botões marcantes, a calça de cós alto e bolsos com detalhes de zíperes dourados.

Fotos: Brunno Rangel 
Direção Criativa: Marcelo Feitosa 
Edição de Moda: João Paulo Durão 
Edição de Beleza: Will Vieira 
Stylist: Yan Acciolli
 Manicure: Kathy, do Z Cabelo & Cor (@zcabeloecoroficial)
 Tratamento de Imagem: André Kawa
 Catering: Dona Gastro by Verô Hahmann 
Agradecimento: Hotel Unique
 Juliana Paes usou Nivea Sub Beauty Expert Facial FPS50, para peles normal e seca
 "Matéria publicada originalmente na Revista L'Officiel Brasil #78"

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