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Depois dos chineses, italianos e franceses se preparam para o fim do lockdown. Voltar parcialmente às suas vidas outdoor acontece agora, no meio de maio. Estilistas debatem aqui como vão traduzir o mood da população em suas coleções

Marine Serre  (Foto: Reprodução)
Depois da Primeira Guerra Mundial, as mulheres abraçaram a moda com um quê masculino – exemplificado por Gabrielle Chanel. Depois da Segunda Guerra Mundial, Christian Dior inventou o New Look, uma resposta sexy e alegre para liberação de Paris.
Guerras e pandemias não são a mesma coisa, mas dividem a mesma escala global e impacto econômico. Em 2020, a moda certamente terá sua resposta para a pandemia da Covida-19. Estilistas terão que fazer a moda voltar a ser relevante, de acordo com Benjamin Simmenauer, professor do Institut Français de la Mode (IFM). “A moda é uma interpretação do momento e isso é um grande desafio agora. Ninguém vai qurer ir a uma loja que se parece uma sala de descontaminação, com vendedores usando máscaras, luvas e macacões. Ao mesmo tempo, existe uma linha tênue entre itens essenciais e supérfluos. Estilistas terão que ser sensíveis durante esse período e oferecer aos seus consumidores proteção, conforto e alegria.”
Emilie Hammewn, professora de história e teoria da moda no IFM, diz que designers devem reagir de maneiras diversas, dependendo das suas visões de moda. “Podemos assumir que a crise vai fortalecer uma engajamento original: seja ele sustentável, social, feminista... Mas poderemos também ver mudanças radicais.”
A pandemia está de acordo com a visão pós-apocalíptica de Marine Serre, tema que vem desenvolvendo há dois anos e meio, desde que lançou sua etiqueta. Para Marine, as máscaras não são novidade. Ela as tem usado diariamente (e há algum tempo) contra a poluição urbana. “Entendi que se não usasse, morreria em 10 anos”, conta a designer de Corrèze, na França, onde passa a quarentena. Ela fez um parceria com um fabricante de máscaras e tem as apresentado nas suas ultimas três coleções. “Quando fiz isso pela primeira vez, há um ano e meio, as pessoas as achavam medonhas. Decidi propor looks em que a mascara mal é percebida graças a outros detalhes, como volume e alfaiataria. “, diz.
“Não faço moda como uma mentira para o que está acontecendo no mundo. O que importa hoje é enxergar o sistema da moda, a maneira como as companhias estão produzindo e o que a moda é sobre. Meu objetivo é questionar e antecipar”, conta Marine.
Estilistas estão trabalhando de suas casas a coleção de verão 2021.  E o que podemos esperar?
Bruno Sialelli, creative director of Lanvin  (Foto: Reprodução/ Lanvin)
Bruno Sialelli (Foto: Reprodução/ Lanvin)
Inspiração: proteção e otimismo
Proteção vai ser a palavra de ordem, seja ao repensar a silhueta para que ela incorpore máscara e luva ou no desenvolvimento de novos tecidos de performance. “Certamente vamos querer roupas que nos protejam”, diz Rabih Kayrouz, do Líbano.
Para Serge Ruffieux, diretor criativo que dá consultoria para grandes marcas chinesas de moda, a resposta da moda à pandemia vai “incluir mais desenvolvimento de tecido antibacteriana.” Serge, que está em lockdown na Normandia, criou o conceito de “liberdade imposta do apocalipse”, que se traduz em leveza e cores. “A positividade será o caminho para mim.”
Em resposta à austeridade mental e econômica, o diretor criativo da Lanvin, Bruno Sialelli, conta que algumas grifes vão “oferecer sonhos, escape e uma dose de ingenuidade.” “Acredito no escape”, comenta. O diretor criativo da Kenzo, Felipe Oliveira Baptista, concorda: “A Kenzo também está ancorada no otimismo. O futuro precisa alimentar esperança. É hora de ser criativo e diferente.”
Rabih Kayrouz of Maison Rabih Kayrouz and Felipe Oliveira Baptista of Kenzo (Foto: Reprodução/ Roger Moukarzel/Maison Rabih Kayrouz, Karim Sadli/ Kenzo)
Rabih Kayrouz da Maison Rabih Kayrouz e Felipe Oliveira Baptista da Kenzo (Foto: Reprodução/ Roger Moukarzel/Maison Rabih Kayrouz, Karim Sadli/ Kenzo)

Coleções editadas
Ao trabalhar de casa, estilistas também passaram por desafios de logística. Lanvin vai substituir sua pré-coleção por uma cápsula, que deve ser apresentada em junho ou julho.
“Queremos mostrar algo bem editado e substancial. Acredito que não teremos mais tantas coleções. Essa crise é uma oportunidade para que cada marca repense sua proposta – não existem mais regras”, diz Bruno Sialelli.
Felipe usou sua coleção cápsula como base para uma pré-coleção. “Foi um ótimo começo, já que é muito difícil fazer roupas remotamente”, explica. A coleção estará pronta assim que as lojas reabrirem.
Semanas de moda mais sensíveis
O British Fashion Council anunciou que a semana de moda de Londres vai acontecer de maneira digital em junho. Enquanto isso, a Fédération de la Haute Couture et de la Mode cancelou os desfiles de Alta Costura femininos e masculinos, mas diz estar trabalhando em projetos alternativos com seus membros - sem entrar em detalhes. E a semana de moda de Paris ainda está marcada para setembro, apesar de Saint Laurent já ter dito que não participará. 
“Estamos todos cientes de que pedir para 600 convidados embarcarem em um avião não é uma boa ideia. Estamos trabalhando numa nova maneira de comunicar e engajar com os compradores e a imprensa”, diz Marine Serre, que tem suas dúvidas sobre desfiles digitais. “Do momento em que engajarmos com o público de uma nova maneira, vai ser estranho não ter passarela, convidados. A ideia de um passarela é justamente estar perto das modelos.”
O professor Benjamin Simmenauer também questiona a relevância dos desfiles digitais. “Falta exclusividade, a excitação social, a primeira fila... Por outro lado, da mesma maneira que as pessoas assistem à Netflix, eles podem querer ver um desfile assim também”, conclui.

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