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À medida que o Coronavirus avança, temos visto diversos eventos serem cancelados ao redor do mundo, começando pelo SXSW, o primeiro evento de grande porte a oficializar. O Coachella seguiu a mesma atitude, assim como a edição brasileira do Lollapalooza. Hoje a organização do São Paulo Fashion Week também decidiu que a edição 49, que aconteceria no fim de abril, está cancelada.
O desfile da À La Garçonne, marcado para o próximo sábado, também foi cancelado. Eventos que reúnem um grande número de pessoas como shows, jogos esportivos e feiras de arte, como a SP-Arte, estão seguindo o mesmo caminho: o do cancelamento ou adiamento para datas à definir.
Segundo o Ministério da Saúde ainda é impossível prever quando a situação será normalizada no país, mas há a expectativa de que o vírus ainda irá afetar muita gente, fazendo com que cancelamentos de eventos com público sejam necessários a fim de proteger a saúde das pessoas e evitar a disseminação do vírus.
Leia abaixo o comunicado oficial do SPFW:

COMUNICADO SPFW / COVID-19 

Em função da nova classificação de pandemia do coronavírus (COVID-19), o São Paulo Fashion Week comunica o cancelamento dos desfiles previstos de 24 a 28 de abril.
Diante do cenário atípico e visando preservar a saúde e bem estar de todos, a programação do Festival SPFW+ e a conferência internacional anunciada para o dia 27 de abril serão replanejadas.
A temporada SPFW N50, celebrando os 25 anos do São Paulo Fashion Week, está mantida entre os dias 16 e 20 de outubro.

  MET Gala 2020 é adiado por conta do coronavírus

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 Depois do número de infectados por coronavírus chegar a mais de 130 mil pessoas no mundo, o Metropolitan Museum of Art anunciou nesta segunda-feira, 16, que o MET Gala foi adiado. 
O evento aconteceria no dia 4 de maio, no museu, em Nova York. Por enquanto, não há uma nova data prevista.
 Além disso, um comunicado interno foi divulgado para a equipe do museu hoje, 16, informando que o museu permanecerá fechado até o dia 4 de abril, por conta das medidas americanas de contenção da vírus, que pede para que qualquer estabelecimento com mais de 50 pessoas permaneça fechado pelas próximas oito semanas. 
Antes do cancelamento, há algumas semanas, foi revelado que Emma Stone e Meryl Streep seriam as anfitriãs do baile, ao lado de Nicolas Ghesquiere, diretor artístico da Louis Vuitton, e, claro, Anna Wintour.

 "Estamos numa posição de ter uma página em branco para um novo começo", diz Li Edelkoort sobre impacto do Coronavirus


A pesquisadora holandesa Li Edelkoort / Reprodução
“A epidemia de coronavírus levará a uma recessão global de magnitude nunca antes experimentada, mas eventualmente permitirá que a humanidade redefina seus valores”. Essa frase é da especialista em previsão de tendências de comportamento Li Edelkoort, em uma entrevista ao site Dezeen.
Edelkoort tem uma visão interessante sobre esse acontecimento recente, que está mexendo com as estruturas do nosso sistema e com o cotidiano de milhões de pessoas ao redor do mundo. Ciente dos perigos e ameaças imediatos que isso representa para pessoas de todo o mundo, Li também considera que esta é uma chance para que nós possamos rever nossos valores e reais necessidades. “O impacto do surto nos forçará a desacelerar o ritmo, recusando-se a pegar aviões, trabalhando em nossas casas, entretendo apenas entre amigos ou familiares próximos, aprendendo a nos tornarmos auto-suficientes e atentos. Acho que devemos ser muito gratos pelo vírus, porque ele pode ser a razão pela qual sobreviveremos como espécie”.
Leia abaixo suas principais ideias sobre o assunto:
“Muitas pessoas não entendem o que está acontecendo com nosso mundo e economia no momento. Muitas vezes, nas empresas, até 90% de todos os produtos são fabricados na China a partir de substâncias derivadas de petróleo, como plástico e poliéster. Em breve veremos prateleiras vazias de sapatos, celulares, roupas e até creme dental e teremos escassez de suprimentos médicos”.
“Parece que estamos entrando maciçamente em uma quarentena de consumo, onde o impacto do vírus será cultural e crucial para a construção de um mundo alternativo e profundamente diferente”.
“O adiamento do Salone del Mobile, da Bienal de Arquitetura de Veneza, das orações papais, possivelmente dos Jogos Olímpicos (N.R.: o COI diz que não irá mudar as datas por enquanto) e muito mais, são todos desastres econômicos por si só; que interromperão a circulação do dinheiro. Todos os setores serão abalados, especialmente marcas de luxo, companhias aéreas, hospitalidade, eletrônicos e alimentos importados”.
Bienal de Arquitetura em Veneza divulga suas novas datas / Reprodução
 
“Qualquer pessoa que ainda planeje eventos públicos nos próximos meses também pode encontrar formas inovadoras de se comunicar e retransmitir as informações de maneira diferente.
“Não há como continuar produzindo tantos bens e muitas opções com as quais nos acostumamos. Há uma crescente conscientização entre as gerações mais jovens de que a propriedade e o estoque de roupas e carros não são mais atraentes. As pessoas teriam que se acostumar a viver com menos posses e viajar menos, pois o vírus interrompe as cadeias globais de fornecimento e redes de transporte”.
“O verdadeiro custo do isolamento na Itália e na China e as medidas que também estão sendo tomadas no Japão e Coreia do Sul, levará a uma recessão global de magnitude que nunca havia sido experimentada antes. Esta não é simplesmente uma crise econômica, mas uma crise de ruptura. As pessoas param de se movimentar, param de sair, param de gastar, param de sair de férias, param de ir a eventos culturais, até mesmo à igreja! A cada novo dia, questionamos cada sistema que conhecemos desde que nascemos e somos obrigados a considerar sua possível morte”.
“Mas, de alguma forma, a psique humana é resistente e quer testar se as coisas se dissiparão sozinhas, esperando e aguardando nosso tempo enquanto fazemos negócios como de costume. Portanto, a parada repentina de tudo isso pelo vírus tira a tomada de decisões de nossas mãos e reduz a velocidade das coisas para outro ritmo, assustador no começo. Não estamos mais acostumados a fazer as coisas sem pressa, a esperar por respostas e buscar soluções. Habilidades de improvisação e criatividade se tornarão os ativos mais altos”.
“Infelizmente neste desastre, não há cura imediata. Teremos que coletar o resíduo e reinventar tudo do zero quando o vírus estiver sob controle. E é aí que eu espero que um outro sistema melhor seja implementado com mais respeito pelo trabalho e pelas condições humanas. No final, seremos forçados a fazer o que já deveríamos ter feito em primeiro lugar”.
Leitura feita por satélite compara a poluição do ar na China de janeiro e fevereiro / Reprodução
 
“As imagens recentes do ar acima da China mostraram como dois meses sem produção limparam o céu e permitiram que as pessoas respirassem bem novamente. Isso significa que o vírus mostrará como a desaceleração e o desligamento podem produzir um ambiente melhor que certamente será visível em larga escala.
“Portanto, se formos sábios – o que, infelizmente, agora sabemos que não somos -, começaremos novamente com novas regras e regulamentos, permitindo que os países voltem ao seu conhecimento e qualidades específicas, introduzindo indústrias caseiras que floresceriam e se tornariam artes e ofícios, onde o trabalho manual é apreciado acima de tudo”.
“Estamos em uma posição de ter uma página em branco para um novo começo, porque muitas empresas e dinheiro serão eliminados no processo de desaceleração. Redirecionar e reiniciar exigirá muita percepção e audácia para construir uma nova economia com outros valores e formas de lidar com a produção, transporte, distribuição e varejo”.

 O IMPACTO DO CORONAVÍRUS NA INDÚSTRIA DA MODA
Reprodução
REPRODUÇÃO
Desde o anúncio da epidemia do Coronavírus, uma infecção mortal do sistema respiratório que surgiu na região de Wuhan, na China, a indústria de moda têm se mostrado preocupada. O motivo porque o mercado chinês é responsável por 90% do aumento do capital de grandes marcas desde 2018, como informa o Financial Times
Há dois anos, a indústria do luxo registrou um aumento de 5% de lucros em suas ações, arrecadando cerca de 23 bilhões de euros, como indica o estudo de mercado de luxo encomendado pela Fundação Altagamma. Mesmo durante protestos políticos na China, sobre o plano de extradição de pessoas para a China Continental, o país conseguiu manter estável o consumo de bens de luxo. Isso aconteceu por conta da chefe executiva de Hong Kong, Carrie Lam, em conjunto ao governo chinês para manter as manifestações violentas, que afastavam clientes e turistas, fora da área empresarial da cidade-autônoma.
Uma pesquisa de mercado feita pela RBC Capital Marketing prevê uma queda de 10% no consumo chinês durante o primeiro semestre do ano de 2020, que terá impacto de 2% nas receitas dos conglomerados de moda presentes na China. A LVMH, que é um deles, teve baixa de 4% nas ações, enquanto a Kering, que controla marcas como Saint Laurent e Gucci, viu suas ações despencarem 8%. Em uma coletiva de imprensa, Bernard Arnault, chefe executivo da LVMH, disse que suas vendas entre janeiro e fevereiro de 2020 serão afetadas, mas se o vírus morrer em até dois meses e meio, os impactos serão menos terríveis.
De acordo com dados do governo chinês, os cidadãos gastam em torno de US$ 74 bilhões em viagens durante o Ano Novo chinês, que têm duração de sete dias e é considerado o maior feriado de migração de pessoas no mundo. Porém, a prefeitura de Pequim anunciou no dia 23.01 que as festividades haviam sido canceladas para evitar a proliferação da doença.
O consumidor chinês é responsável por 35% das compras de bens de luxo e, em sua maior festividade, grande parte dos moradores ficarão em suas casas por precaução, o que faz o impacto econômico ser maior ainda. O governo chinês recomenda que estabelecimentos não essenciais, como bares, restaurantes e lojas não abram durante a tentativa de controle da doença.
Para o Financial Times, Joëlle de Montgolfier, diretora da empresa de consultoria de luxo Bain & Company, disse que o Coronavírus dará um forte golpe no mercado. Os chineses não irão comprar no mercado interno, por conta da quarentena, e não comprarão no mercado externo, já que vias terrestres, marítimas e aéreas estão sob quarentena:  “O povo chinês não só comprará menos no mercado interno durante a principal temporada de compras de Ano Novo, como também precisará cancelar as viagens ao exterior, durante as quais costumam comprar produtos de luxo”.
Na última década, a China cresceu por conta de sua estratégia na produção de bens de consumo que, em muitos casos é proveniente da exploração de trabalhadores. Hoje ela é considerada a segunda maior economia do mundo, com PIB de US$ 14.941,148 (dados de 2018), ficando atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.
Essa é a segunda vez que a China tem um impacto na economia por conta de uma doença viária. A primeira foi entre 2002 e 2003 com o surto de SARS, a síndrome respiratória aguda grave, que resultou em mais de oito mil casos da doença e 800 mortes no mundo todo.
*Gabriel Green Fusari é aluno de jornalismo na UFMT

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