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O São Paulo Fashion Week, que acontece entre os dias 22 e 27 de abril no espaço ARCA, terá como discussão central parte de uma pergunta tema “Qual é a sua Utopia?” convidando todos a participar da construção de futuros cada vez mais criativos, colaborativos e afetivos.
Apresentado pelo Banco Santander, o SPFW abrirá no dia 22 com desfile de Reinaldo Lourenço no Farol Santander, seguido por uma semana intensa de programação, que incluirá desfiles com o selo Projeto Estufa, que acontecerão também no espaço ARCA durante a 47ª edição da semana de moda.
Nesta edição, destaque ainda para cinco novas marcas – Haight, Neriage, Flávia Aranha, Another Place e Ocksa -, que reforçam o espaço de um novo empreendedorismo na moda brasileira. Comunicação digital e vendas online, inclusão, diversidade, sustentabilidade dão propósito para uma era de consumo mais consciente e público engajado.


N47 / SPFW


REINALDO LOURENÇO


Reinaldo Lourenço abriu o SPFWN47 com uma coleção inspirada em Miami, destino para onde não ia há 30 anos. Convidado para desfilar em um evento na cidade, ele se deparou com uma Miami que não conhecia – ou que não lembrava. Uma passada na frente na casa onde Gianni Versace morava abriu seus olhos para a arquitetura art déco da cidade e inspirou parte da estamparia da coleção. “Fotografei tudo e reproduzi de uma forma contemporânea”, conta horas antes do desfile começar.
DIREÇÃO CRIATIVA
Reinaldo Lourenço
STYLING
Reinaldo Lourenço e equipe
BELEZA
Daniel Hernandez
TRILHA
Max Blum
DIREÇÃO DE DESFILE
Augusto Mariotti
A coleção começa com uma série de vestidos e saias mais curtos e com um trabalho de aplicação manual de argolas que cria vazados estratégicos importantes no look: o efeito é tão sexy quanto fresco. Em seguida entra a parte de prints que funciona bem tanto na estampa corrida de Miami que cobre looks inteiros, quanto na estamparia localizada da Ocean Drive, bem contemporânea. O momento art déco que decora sua alfaiataria é de uma delicadeza e preciosidade nos detalhes que faz jus ao movimento que teve seu auge nos anos 20: seu caráter decorativo reúne uma fina habilidade à materiais ricos. Reinaldo reproduziu no richelieu os motivos das fachadas déco da cidade, ornando mangas inteiras com essa técnica.
O clima mais descontraído de Miami fez bem ao estilista, que soltou a mão nos vestidos esvoaçantes que surgem no início e ao final do show, com menção honrosa para os looks em lamê degradê, a parte mais bonita do desfile. Ao vê-los passar, nós pensamos em festa, férias, uma sensação de verão, de amanhecer na praia… É raro uma roupa ultrapassar sua função de “apenas um produto bonito” para “algo que a gente sente”. (Camila Yahn)


LENNY NIEMEYER


Na imaginação de Lenny Niemeyer existe um lugar selvagem onde só se chega seguindo mapas misteriosos e exclusivos.
Esse universo é povoado por mulheres que por vezes se confundem com a paisagem, um pouco gente, um pouco pedra, pássaro, poeira cósmica.
Embora as modelagens falem de água – um beachwear como sempre sofisticado, para ondas e dunas selecionadas -, as texturas, estampas e cores sugerem um cenário árido, de areia recortada por metal líquido e placas de pedra.
DIREÇÃO CRIATIVA
Lenny Niemeyer
STYLING
Daniel Ueda
BELEZA
Silvio Giorgio
TRILHA
Gomus
Os tecidos levíssimos, em cores como azul e amarelo esverdeado, ou estampados como cristais de rocha de tons terrosos, sugerem vento e têm um belo movimento. Aparecem em saias longas e volumosas, túnicas e capas.
A ideia de voo continua nas penas costuradas uma a uma, que compõem por exemplo um maiô.
Mas as peças mais interessantes são as de tons crus, feitas com tecido de fios arranjados rusticamente ou as recortadas por veios dourados. Em meio a esse cenário, algumas plantas raras aparecem pontuando a coleção.
Uma elegância singular e desértica como deseja o mundo particular da designer. (Vivian Whiteman)
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PATRICIA VIERA



“Cada pessoa é um mundo”. Essa frase de Clarice Lispector foi um dos pontos de partida da coleção da estilista carioca Patrícia Viera. O trabalho da artista americana Susan Wick e a arte naïf de Heitor dos Prazeres também ficam bem nítidos nas cores e desenhos lindamente manuseados, selados ou bordados, couro sobre couro.
Patrícia aproveitou para rever o montante de pedaços e retalhos de couro que descansavam em sua fábrica e dar a eles uma nova vida. Desse pensamento, surgiram momentos bem expressivos do que o trabalho manual e a tecnologia podem fazer juntos. Cada peça tem um modo de fazer, seja as pequenas flores feitas de couro aplicadas uma a uma nas peças também de couro, seja nos recortes coloridos que também reaproveita o material. Os vestidos do final –Andrea Dellal fechou o desfile em um deles – com mosaicos construídos por Natalia Reyes e John de Souza com pedaços de couro traduzem muito bem o universo da marca.
DIREÇÃO CRIATIVA
Patricia Viera
STYLING
Felipe Veloso
BELEZA
Max Weber
TRILHA
Alexandre Kimelblat
DIREÇÃO DE DESFILE
Andrea Viera
Nós já conhecemos o trabalho de Patrícia e sua incrível habilidade com o couro, que nunca deixa de impressionar. Porém, por mais concisa e rigorosa que seja com seu ofício, ela ainda caminha em uma zona de conforto. Talvez fosse o momento de vermos um encontro do couro com outros materiais ou até mesmo o trabalho no couro tomando novas formas e proporções além dos vestidos. A jaqueta com perfume esportivo do look 14 é um ótimo exemplo – Patrícia sempre fez ótimas jaquetas. Ela compõe tão bem com o vestido na mesma estampa quanto com uma combinação mais urbana. Seria interessante ver seu olhar apurado voltado para um vestir mais contemporâneo. (Camila Yahn)

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FABIANA MILAZZO



Entre a imagem e a técnica de Vik Muniz, a estilista Fabiana Milazzo escolheu as duas. Inspirada em obras e séries do artista plástico, ela pensou em soluções possíveis não só para transportar o trabalho para as roupas mas também em formas de manter um pouco de suas intenções artísticas originais_ uma proposta bastante ambiciosa.
Um exemplo: para o vestido inspirado na série Handmade, em que Vik misturava papel rasgado com fotos de papel rasgado, ela reeditou o processo. Fez franjas de vidrilhos que reproduziam as obras do artista. Depois fotografou, estampou o tecido, bordando novamente por cima da imagem. No museu, a diversão era tentar descobrir o que era o material em si e o que era sua imagem. A designer quis replicar esse mesmo jogo.
Nas peças inspiradas em Lixo Extraordinário, que deu origem ao documentário homônimo, ela trabalhou técnicas de upcycling, divulgando seu projeto Renovarte, que lida com reaproveitamento de resíduos têxteis. Embora em linguagens diferentes, o tema permite esse ponto de ligação, abre uma possibilidade de conversa.
DIREÇÃO CRIATIVA
Fabiana Milazzo
STYLING
Equipe da Fabiana Milazzo
BELEZA
Daniel Hernandez
Interessante pensar nos novos desejos de Fabiana, que certamente não deixam na mão suas clientes mais interessadas em festa e brilho, mas a levam para um outro lugar. Inclusive, a colocam na posição de alguém interessada em educar, em ampliar horizontes, em apresentar ideias que talvez ainda não estejam na pauta de parte de suas consumidoras.
Esse movimento parece ter tocado o processo criativo de Fabiana de outras maneiras, o que aparece na coleção em peças mais contidas, quase minimalistas. Um macacão ocre reto e sequinho, com mangas amplas. Uma camisa off-white com bordados delicados.
É claro que os destaques são as super cores, é claro que os paetês continuam dando o tom. Afinal, são eles os hits dos figurinos de artistas como Iza, Sharon Stone e Claudia Raia, entre muitas outras. Mas, ao mesmo tempo, o desfile contempla outras clientes mais discretas, fãs da linha mais casual de Fabiana ou interessadas em uma dose de conceito fashionista. Na trilha, Tom Zé. Enquanto passava a fila final, rolou Tô, aquela música que diz “eu tô te explicando pra te confundir, eu tô te confundindo pra te esclarecer”. No fim das contas, é assim mesmo que a moda toca. (Vivian Whiteman)
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GLORIA COELHO

Gloria Coelho tem um processo criativo muito peculiar. Suas inspirações são sempre muitas e as mais variadas. Algumas ficam explícitas na roupa, outras, talvez só circulem como moods incomunicáveis em sua trip imaginativa.
Desta vez, o foco principal era o repertório surfwear, que a estilista misturou a certos elementos de uma de suas obsessões mais ou menos recentes: os medievalismos e referências nórdicas e britânicas da série Game of Thrones.
DIREÇÃO CRIATIVA
Gloria Coelho
STYLING
Marco Gonçalves, Mariana Oshima, Fernanda Minillo, Jamily Meurer
BELEZA
Fabiana Gomes
TRILHA
Max Blum
DIREÇÃO DE DESFILE
Roberta Marzolla
Gloria trabalha com uma estrutura de estilo muito estabelecida, em que as novidades encontram resistência e penetram nesse esquema como modificações muitas vezes sutis.
Assim o surf é o do minimalismo de maiôs, bodies e recortes geométricos, dos tecidos hi-tech ou exclusivos. Os tronos de seu reino são ocupados por rainhas da alfaiataria dark, onde a luz entra por fendas bem posicionadas. Os acessórios e capuzes reforçaram a ideia do medieval revisitado.
No jogo de Gloria uma nação será sempre soberana: a das minimalistas com uma quedinha por impérios e pelas tecnologias do vestir. (Vivian Whiteman)

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TRIYA




A Triya apresentou algumas novidades importantes nesta temporada. Pela primeira vez mostrou sua linha masculina e dedicou uma porção bem maior da coleção às roupas, além de seu já conhecido beachwear.
A inspiração era a iconografia dos incas, um registro visual que serviu de fio condutor para o storytelling básico da marca, que de alguma maneira está sempre falando de energia, good vibes etc
DIRETORA CRIATIVA
Isabela Frugiuele
STYLING
Felipe Veloso
BELEZA
Daniel Hernandez
TRILHA
Marco Frugiuele e Veronica Vacaro
O mix de tecidos tecnológicos e técnicas artesanais como o macramê deu o tom da apresentação, super colorida, da estamparia baseada nos objetos incas e no Vale Sagrado ao tie dye. Para as mais bruxonas, biquínis espaciais com alças e laterais de cristais, imitando cordões de estrelas.
Outro destaque foi a estamparia localizada, que permite posicionar os padrões levando em conta as formas do corpo e gerando um efeito “sculpt”.  As gatas místicas vão gostar dos vestidos amplos e das cores super energizantes da cartela da grife.


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RONALDO FRAGA



Candido Portinari morreu em 1962, dois anos antes do início do que seria a Ditadura Militar no Brasil. Deixou uma obra lírica, mas também política, em que criticou acima de tudo a opressão em suas muitas formas. Uma de suas pinturas, os painéis de Guerra e Paz, foi o ponto de partida para o desfile de Ronaldo Fraga.
Encomendados pela ONU, os dois paineis de 14m de largura, opõem o massacre do povo e sua capacidade para a expressão da alegria. Ronaldo, em um exercício de ficção, escreve uma carta póstuma a Portinari e se pergunta, diante da atual situação lamentável do país, o que Portinari pintaria, o que denunciaria se pintasse Guerra e Paz hoje.
Portinari, um gênio reconhecido mundialmente, foi do Partido Comunista e no Brasil de hoje seria tratado como inimigo. Ronaldo, por sua vez, tem se colocado pessoalmente em suas redes contra os descalabros do atual governo, especialmente nas questões relacionadas a racismo, homofobia, direitos das minorias e propostas ambientais, pautas de interesse geral da população mas que tem sido tratadas como “esquerdistas”.
Sua passarela deixa claro: há um processo de militarização da vida em curso. A guerra é, antes de tudo, um modo de organizar o mundo. Os modelos vestem capacetes criados por Marcos Costa com diferentes adornos que representam diferentes questões importantes.
As armas, que viraram símbolo e gestual do atual governo. O genocídio da população negra e a violência de tentar negar que os horrores da escravidão ocorreram e ainda têm consequências. A perseguição à população LGBT. As novas medidas que ampliam a exploração de florestas e roubam direitos das populações indígenas. A opressão dos trabalhadores. O descaso com as ciências humanas. Em certa entrada o adereço é a pomba da paz que parece tentar furar e atravessar o capacete e, quem sabe, tocar um pensamento.
As roupas trazem estampas detalhes das pinturas de Guerra e Paz, mas também balas, estilhaços, índios crucificados, sangue. Um camisão longo de linho aparece cravado de tiros bordados. Nas costas dele, o rosto de Marielle Franco, assassinada por militares que tem sido ligados a grupos de milícia. No chão da passarela, café, símbolo de riqueza, conforto mas também do trabalho escravo nas fazendas brasileiras, amplamente retratado no trabalho de Portinari. Ele, que durante a vida declarou que não acreditava em arte neutra, que o sentido social de um ato artístico existe mesmo sem intenção explícita.
BELEZA
Marcos Costa
TRILHA
grupo A Quatro Vozes e trio Motim
DIREÇÃO DE DESFILE
Roberta Marzola
Mas Ronaldo não é um derrotista. Sua moda tem dureza, mas também energia de potência e mudança. Energia que Ronaldo enxerga no trabalho digno, na arte, na cultura, na brincadeira, no artesanal, na roupa.
As técnicas de patchwork combinam bem com o pensamento dessa coleção, que entende a história como um ajuntamento de vozes, de trajetórias, de pessoas e seus percursos, suas produções e seus afetos.
A trilha foi feita ao vivo pelo grupo de cantoras A Quatro Vozes, acompanhadas pelos instrumentistas do trio Motim. Canções da MPB com cunho político, mas também canções de amor. A realidade às vezes é tão penosa que os fatos nos sobrecarregam, deprimem, precisam ser escondidos de nós mesmos. Só conseguimos elaborá-los partindo de uma ficção, talvez de uma possibilidade radical de virada e liberdade. Assim faz a arte, assim às vezes consegue fazer a moda, embalando fatos duros em uma narrativa que não os esvazia, mas que os torna mais acessíveis. Portinari, presente. (Vivian Whiteman)

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PROJETO ESTUFA / VICTOR HUGO MATTOS


Victor Hugo Mattos é um natural born maximalista. Do tipo que a gente desconfia que não vai nem à padaria sem um bom acessório statement. Suas bijoux são um acontecimento, como o chapéu com cortininhas de miçangas, as cabeças com inspiração religiosa e a choker maxibúzios que ele mostrou nesta edição do Projeto Estufa.
A missão atual de Victor tem sido desenvolver nas roupas essa mesma potência, e o trabalho está em curso. Algumas peças são megatrabalhadas e funcionam mais como efeito de passarela e para editoriais, outras, como o vestido preto todo bordado, já entram em um registro mais real de uso.
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Maika Mano
BELEZA
Helder Rodrigues
TRILHA
Alexandre Badenov
DIREÇÃO DE DESFILE
Augusto Mariotti
A vibe dessa vez foi meio cavaleiros Bollywood do sertão, procissão do close, entre a balada e o ritual. Vale muito seguir o instagram de Victor (@victorhugomattoss) para ver as peças de perto. Cada imagem, um berro. (Vivian Whiteman)
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