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Karl Lagerfeld, possivelmente o mais icônico estilista do mundo, faleceu nesta terça (19.02) em Paris, aos 85 anos.
O diretor criativo da Chanel, Fendi e de sua própria marca já vinha dando sinais de cansaço extremo. Sua ausência ao final do desfile de Alta Costura em janeiro foi motivo de alerta para todos sobre seu estado de saúde. O motivo do falecimento não foi divulgado.
Karl Lagerfeld ao final do desfile de inverno 1996, da Chanel (Foto: Getty Images)
A Chanel anunciou Virginie Viard como nova diretora criativa da marca. Braço direito de Lagerfeld há 30 anos, Virginie aparece no documentário da Netflix e foi quem entrou ao final do desfile em janeiro. A maison também escreveu um comunicado emocionante que pode ser lido na íntegra aqui ou no post abaixo.
Karl foi diretor criativo da Chanel de 1983 a 2019. O FFW está preparando uma retrospectiva para breve.



Maison Chanel anuncia o falecimento de Karl Lagerfeld (Foto: Divulgação)

1- A Chanel Classic Flap
O modelo tão cobiçado no mundo inteiro é uma reinterpretação de Karl para a icônica bolsa 2.55, criada por Coco Chanel em 1955. Lançada nos anos 80, ela substituiu o clássico fecho Mademoiselle (retangular) pela logo da casa, gerando desejo imediato desde então, e firmando os Cs interligados como uma instituição da moda por si só (estampado desde então em botas de ski, pranchas de surf e até biquínis asa-delta). Lagerfeld implementou mais algumas adaptações em sua interpretação, como o couro passando por dentro do elo das correntes das alças, atualizando o modelo para uma nova geração. Tida como it-bag absoluta, a Classic Flap, em suas diversas cores, versões e tamanhos, é tida, assim como a Birkin, da Hermès, como um investimento mais seguro do que o mercado de ações ou ouro.
A Chanel Classic Flap no verão 2018 da grife (Foto: Imaxtree)
2- O retorno dos slingbacks bicolores
A sensibilidade de Karl Lagerfeld em pinçar ícones da maison e transformá-los em hit para uma nova geração tantas décadas depois mostrou-se intacta novamente em 2015, quando o kaiser calçou todas as modelos do desfile de inverno da grife com os icônicos slingbacks bicolores criados por Coco Chanel em 1957. Após o desfile, em meio a tantos sapatos statement sendo lançados, todo mundo se apaixonou novamente mesmo pelos bicolores tão clássicos e simples da Chanel, um dos maiores best sellers da maison francesa, e hoje disponíveis em diversas combinações de cores e materiais. "Admirava muito nele essa capacidade de encontrar ícones da casa e repensá-lo para os dias atuais. O slingback foi exatamente isso. Era um sapato da década de 50 que ele trouxe de volta e de repente virou o sapato virou o mais desejado da temporada. Era curioso como, imediatamente, um sapato originalmente criado nos anos 50 atualizava seu look em 2015. Entre tantos sapatos de temporada que ficam datados com a chegada de uma nova estação, o Slingback permanece. São poucas as marcas que conseguem isso", diz Vivian Sotocórno, editora de moda da Vogue Brasil.
Os clássicos Chanel Slingbacks (Foto: Reprodução)
3- O DNA
Se hoje em dia é tão comum ouvirmos falar no DNA de uma grife ou de estilistas resgatando os códigos mais determinantes dos arquivos das casas que assumem, Karl Lagerfeld foi quem realmente implementou a ideia ao assumir a Chanel nos anos 80, criando um verdadeiro dicionário para a Chanel baseado em seus ícones - o tweed, as pérolas, a bolsa, os cintos de corrente -, seguido à risca e revisitado a cada temporada.  "Meu trabalho não é fazer o que ela fez, mas o que ela teria feito. A coisa boa da Chanel é que ela é uma ideia que você pode adaptar para diversas coisas", dizia Karl. "Acho que o que eu mais admirava em seu trabalho era seu respeito pela história da maison e suas clientes. Ele sabia exatamente para quem ele estava criando: a mulher Chanel", diz Pedro Sales, diretor de moda da Vogue Brasil. "Ele era muito fiel à mulher Chanel e aos códigos da Gabrielle. Ao mesmo tempo ele fez o tailleur noiva, o tailleur rocker. Era o clássico sempre com um twist para hoje, como quando ele apresentou o tailleur combinado com tênis na Cara Delevingne Antes de todo mundo começar a falar da moda esportiva, ele já estava introduzindo isso na Chanel. Ele era um visionário, realmente, que sempre nos surpreendia com sua visão do jovem, mesmo com shapes clássicos."
O inconfundível DNA da Chanel (Foto: Imaxtree)
4- Os desfiles itinerantes
Se hoje em dia é de praxe as maiores grifes da moda desfilarem suas coleções de meia-estação em locações cada vez mais exuberantes ao redor do mundo com uma lista de convidados fervidíssima sempre presente, foi Karl Lagerfeld que deu o start no que se tornou padrão com o desfile de Métiers d'Art da Chanel, criado há 16 anos para exaltar as habilidades dos ateliês da maison. Desde então, os desfiles de meia-estação, que já passaram até pelo Rio de Janeiro com a Louis Vuitton, ganharam destaque absoluto no calendário fashionista.
O desfile de Cruise 2012 da Chanel nos jardins do Palácio de Versailles (Foto: Getty Images)
5- Cenários inesquecíveis
Supermercado, aeroporto, margens do Rio Sena, Place Vendôme, navio... A cada temporada Karl Lagerfeld transformava a passarela da Chanel em uma locação cada vez mais impressionante, com cenários inacreditáveis, sem precisar jamais sair de dentro do Grand Palais. Passou a ser comum ver passarelas sendo transformadas em cenários exuberantes e até inesperados, mas quem ditou a tendência, mais uma vez, foi Karl. "O primeiro desfile da Chanel que fui na vida foi ano passado, em que o cenário era uma floresta. Eu nunca tinha ido e fiquei chocada com absolutamente tudo, mas o mais impressionante foi entrar no Grand Palais e sentir o cheiro de floresta, com musgo de floresta pelo chão... O cenário tinha até cheiro, ele pensava em absolutamente todos os detalhes. Lembro-me até que um cachorro entrou no desfile e ninguém sabia se ele fazia parte da apresentação ou tinha conseguido entrar da rua. A experiência era tão imersiva que você se esquecia até de onde estava. Você era transportada para dentro da história que ele queria contar", relembra Paula Merlo, diretora de redação da Vogue Brasil.
O desfile de inverno 2018 da Chanel (Foto: Getty Images)
6- O manifesto anti-fast fashion
Em seu desfile de inverno 2016 alta-costura, Karl Lagerfeld fez um manifesto delicado e repleto de poesia contra o ritmo da indústria do fast fashion, apresentando uma coleção que celebrava a maior riqueza da alta-costura: o trabalho manual das petit mains, costureiras que viram dias e noites transformando em realidade os croquis dos estilistas, enfatizando a importância do fator humano no processo. A passarela era um grande ateliê de costura e, no final, Karl entrou para receber os aplausos com algumas de suas costureiras, em um momento comovente e marcante em meio ao calendário de alta-costura, provando a importância das criações do gênero e seu fator realmente revolucionário em meio ao ritmo frenético dos grandes conglomerados do fast fashion.
Chanel alta-costura inverno 2016 (Foto: Imaxtree)

7- As noivas da Chanel
As noivas da Chanel são um dos maiores ícones da história da moda, e frequentemente são usadas por Karl como um termômetro de momentos importantes na sociedade ou mesmo na indústria, como a escolha de Adut Akech para fechar o desfile de alta-costura de inverno 2018, em um longo verde menta. O comentário sobre o momento tão importante, em que o mundo inteiro cobra mais diversidade não só na moda, foi celebrado pela própria modelo sudanesa, a segunda modelo negra a encarnar a noiva da Chanel - a primeira foi Alek Wek, em 2004. Vale lembrar ainda a noiva de tuxedo fechando o desfile de verão 2018 alta-costura (a quarta na história da Chanel a usar calças), em um comentário claro às discussões em torno do poder masculino e noções do que é feminino. Inesquecível ainda a noiva grávida que fechou o desfile de inverno 2015 de alta-costura.
Adut Akech como a noiva da Chanel (Foto: Getty Images)
8- Os musos contemporâneos
Karl Lagerfeld podia ter seu time de musas eternas e atemporais, mas não tinha qualquer resistência em abraçar nomes que faziam parte de uma nova geração de personalidades: "Ele não tinha qualquer caretice ou preconceito", relembra Paula Merlo. Kendall Jenner, Lily Allen, Lily-Rose Depp e até Pharrell. Enquanto muitos estilistas buscavam se distanciar de Kim Kardashian, por exemplo, o estilista seguiu o caminho oposto: "Sua contribuição para a moda e a beleza é o fato de que você não precisa ser super magra e alta para ser linda", chegou a declarar sobre a socialite.
Lily Allen em uma campanha da Chanel em 2009 (Foto: Divulgação)
9- Logomania pop
A logomania foi uma das maiores tendências dos anos 90, e Karl Lagerfeld investiu pesado nela: ao estampar os Cs interligados da Chanel em biquinis, lentes de óculos, suspensórios, pranchas de surf e tantas outras peças - das mais clássicas às mais inusitadas -, Karl transformou a logomarca da grife em ícone pop que jamais saiu de moda. Mesmo quando a logomania esfria, a logomarca da Chanel segue gerando desejo sem qualquer sinal de enfraquecimento.
Kim Kardashian de biquini vintage da Chanel (Foto: Instagram Kim Kardashian/ Reprodução)

 
10- A celebração da beleza feminina
"O respeito que ele tinha pela beleza feminina era ímpar. As mulheres em suas campanhas e desfiles eram sempre belas. Essa paixão dele pelas mulheres era clara em absolutamente tudo o que ele fazia", encerra Pedro Sales.



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