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Era 1999 e John Galliano apresentava seu desfile de Verão 2000 para a Dior, “uma carta de amor a Lauryn Hill”.  Naquela coleção nascia uma das bolsas mais icônicas da história da moda, a Saddle Bag. Desenhada em forma de uma sela de cavalo (saddle = sela), ela era usada pendurada no ombro e bem próxima ao corpo – seu formato parecia se encaixar perfeitamente.  Era o encontro do universo clássico e refinado da equitação com a logomania e a imaginação estilo sky is the limit de Galliano.
Alek Wek no desfile de Verão 2000 da Dior, lançamento da Saddle Bag / Reprodução
ALEK WEK NO DESFILE DE VERÃO 2000 DA DIOR, LANÇAMENTO DA SADDLE BAG / REPRODUÇÃO
A Saddle foi produzida em centenas de padronagens, estampas, cores e em edições limitadas. Denim azul, em um cinza clássico com o logo replicado, baby pink, com estampa de papel de jornal e até de Bob Marley. Divertida e original, foi uma daquelas bolsas “must have” como não se faz mais hoje em dia.
Da passarela, ela caiu direto nos braços de Carrie Bradshaw em Sex and the City (terceira temporada) e logo era usada pelas celebridades da época – pense em Paris Hilton, Nicole Richie, Sienna Miller… Em pouquíssimo tempo, a bolsa era um forte termômetro de status.
Carry Bradshaw e sua Saddle, no modelo Amazon / Reprodução
CARRY BRADSHAW E SUA SADDLE / REPRODUÇÃO
Angela Lindvall na campanha da Dior Verão 2001 fotografada por Nick Knight / Reprodução
ANGELA LINDVALL NA CAMPANHA DA DIOR VERÃO 2001 FOTOGRAFADA POR NICK KNIGHT / REPRODUÇÃO
Em 2008 veio a crise, no início de 2011 John Galliano foi demitido da Dior e a bolsa parou de ser produzida. Mas seu status se manteve e alguns modelos eram procurados (e encontrados) em sites como ebay, vendidas como peça rara e de colecionador.
Mas a história não termina aí. De uns tempos pra cá, algumas celebridades foram vistas carregando suas versões vintage: Bella Hadid apareceu usando o modelo em jeans, Beyoncé foi fotografada com uma metalizada e Adwoa foi a um casamento usando uma da edição limitada linha Christian Dior Reggae.
Bella usando um modelo vintage da Saddle bag / Reprodução
BELLA USANDO UM MODELO VINTAGE DA SADDLE BAG / REPRODUÇÃO
O que acontece quando essas modelos/artistas/influenciadoras aparecem carregando uma Saddle bag retrô? Muitos de seus seguidores passam a buscar pela bolsa e acabam encontrando em sites como o Vestiaire Collective, uma plataforma de compra e venda de artigos de luxo que vende algumas versões a partir de US$ 180 (yes, baby).
No desfile de Inverno 2019, que aconteceu no final de fevereiro, Maria Grazia Chiuri, atual diretora criativa da Dior, trouxe a bolsa de volta à cena, com uma série de modelos que vão do simples couro preto a um belo trabalho de patchwork. O lançamento global que marca o retorno da Saddle Bag acontece nesta quinta (19.07) às 10h, com um lançamento oficial da Dior em suas mídias sociais – a Dior do shopping Cidade Jardim já está fazendo a pré-venda da bolsa.
Talvez essa “demanda” tenha criado a oferta, já que é difícil um estilista continuar uma peça icônica criada por outro designer. Ou simplesmente a Dior viu o potencial que existia ali e coube a Maria Grazia criar a sua versão para a Saddle Bag. Para algumas sortudas, a bolsa do momento pode estar logo ali, guardada no seu armário.
Criado há pouco mais de dois anos, o perfil de Instagram @supremecopies se dedicou a documentar, de forma quase profissional, as inspirações, referências e até mesmo copycats da Supreme.
É comum que a grife — e outras marcas do streetweat — se apropriem, mesmo que ironicamente, de elementos exteriores, principalmente vindos de grandes marcas. A referência é por vezes nítida e por outras sutil. Para se ter uma ideia, o perfil conseguiu identificar uma obra de George Braque em um suéter que todos achavam ter sido estampado pela própria marca.
Estampa da Supreme, identificada pelo perfil como sendo do artista George Braque
ESTAMPA DA SUPREME, IDENTIFICADA PELO PERFIL COMO SENDO DO ARTISTA GEORGE BRAQUE / REPRODUÇÃO
Seguindo o trabalho minucioso, o caminho natural para o @supremecopies — que é anônimo — seria lançar um livro. Dito e feito: ‘Supreme Copies: The Book’ vem em forma de catálogo com 120 páginas de arquivos postados no perfil desde 2016. Ainda sem revelar sua identidade, o fundador da página afirma que já pensava na publicação há algum tempo: “Era uma ideia que guardo desde que minha página tinha dois meses“, contou à Dazed.
O livro já está disponível através da Amazon por cerca de US$ 32 e traz imagens e arquivos inéditos e nunca postados no perfil. Vale lembrar que a Amazon entrega no Brasil e não há imposto para livros e obras literárias.

Gods and Kings: The Rise and Fall of Alexander McQueen and John Gallianolivro-gods-and-kings
Autor: Dana Thomas
Sobre: Esse livro foi um prato cheio pra mim, já que se trata de dois dos meus estilistas favoritos e de uma época muito rica na moda, os anos 90 até meados dos 2000. Thomas traz informações sobre John Galliano e Alexander McQueen desde crianças até se tornarem os gods and kings do título, com aspas de familiares, amigos, namorados, parceiros de trabalho, colaboradores e outros profissionais da moda. O livro é repleto de detalhes que, de uma certa forma, tentam explicar o estilo e a genialidade de cada um, a rivalidade entre eles, e seu caminho até a tragédia: o suicídio de McQueen em 2010 e o surto de Galliano um ano mais tarde.
Vale dizer que ele não foi bem aceito por editores importantes, como Sarah Mower, que escreveu uma crítica dura para o The Guardian. Ela acusa o livro de ser oportunista, lucrando em cima de segredos que ambos lutaram para guardar, como o abuso sexual que McQueen sofreu quando criança, e também a falta de um pano de fundo cultural da época. “McQueen deve ser visto como parte da corte da Britart e do Britpop dos anos 90 – um autodidata e empresário destemido que se inspirou no teatro, cinema, dança e música em seus desfiles sensacionais e viscerais. Ele seguiu Galliano para aquele campo criativo britânico: um lugar onde a influência dos clubes de Londres e história da arte floresciam em experiências ao vivo. O meio eram as roupas, mas eles estavam operando em um nível psicológico muito além da moda”.
“Nenhuma parte ou crédito é dado aos designers pelo fato de que ambos começaram como desfavorecidos, meninos da classe trabalhadora cujas mentes excepcionais, delicadeza técnica e ambição pura e sanguinária empurravam o teatro da moda muito além dos confins do mero comércio. Mas isso não me preocupa. Galliano está recebendo uma segunda chance para se recuperar. McQueen não precisa; postumamente, sua reputação só está crescendo”.
Ela tem pontos importantes, mas acho que vale a leitura para cada um tirar a própria conclusão.
Tem versão em português? não
Preço: R$ 53
The End of Fashion: How Marketing Changed the Clothing Business Foreverlivro-end-of-fashion
Autor: Teri Agins
Sobre: Jornalista de moda do The Wall Street Journal por mais de 10 anos, Agins explora, como diz o título, como o marketing mudou a indústria. O livro foi publicado em 2000, então algumas partes estão um pouco datadas, mas sua visão geral mostra com clareza a engrenagem da moda contemporânea, revelando todos os aspectos, desde a produção, varejo, criação de imagem e economia. Ela passa pela criação de grandes conglomerados como LVMH a textos de insider, como a parte em que conta a briga de Donna Karan com seus acionistas e a rivalidade entre Ralph Lauren e Tommy Hilfiger.
Tem versão em português? não
Preço: R$ 58
Moda uma Filosofialivro-moda-uma-filosofia
Autor: Lars Svendsen
Sobre: Livro do pensador norueguês que eu trouxe para o Brasil dar uma palestra no Pense Moda em 2009. É um livro excelente, que destrói muitos dos mitos da moda que sempre julgamos verdades universais. Ele escreve com conhecimento e ironia, reunindo referências da arte contemporânea, músicos pop e pensadores como Barthes, Kant Adam Smith e Adorno, fazendo uma espécie de resumo sobre o que a filosofia e a sociologia têm a dizer sobre a moda. A edição brasileira traz um apêndice especial com sua palestra no Pense Moda, em que fala especificamente sobre a crítica de moda.
Tem versão em português? sim
Preço: R$ 59,90
Overdressed: The Shockingly High Cost of Cheap Fashionlivro-overdressed
Autor: Elizabeth L. Cline
Sobre: A autora questiona o que nós fazemos com todas as nossas roupas baratas? E, mais importante, o que elas estão fazendo com a gente, com nossa sociedade e meio ambiente? Como comparação, em 1965, 95% das roupas compradas pelos americanos eram produzidas nos Estados Unidos. Hoje, esse número está em menos de 3%. O livro tem um tanto de história, explicações e fatos quanto tem de alerta, convidado os leitores a tomarem uma atitude.
Tem versão em português? não
Preço: R$ 50
Deluxe: Como o Luxo perdeu o Brilholivro-deluxe
Autor: Dana Thomas
Sobre: Eu li este livro há anos e nunca me esqueci. Thomas, mais do que tudo, é uma incansável repórter. Ela faz uma comparação entre o que era luxo e qual a conotação dessa palavra hoje. Ele foi publicado em 2007 – não sei como seria ler hoje em dia, mas lembro que aprendi muito. Ela pegou um momento importante da moda, com grandes transformações acontecendo, como os conglomerados virando grandes impérios, correndo atrás de lucros cada vez maiores e sacrificando a criação e a qualidade dos produtos. Dana tem aspas de muita gente importante na moda, de estilistas a CEOs, viajou para as capitais da moda, entrou em fábricas chinesas quando ainda era um tabu produzir na China e também veio ao Brasil conhecer a Daslu no seu auge. Uma viagem investigativa pelos bastidores da moda.
Tem versão em português? sim
Preço: a partir de R$ 13 na Estante Virtual
Casa Gucci: Uma História de Glamour, Cobiça, Loucura e Mortelivro-gucci
Autor: Sarah Gay Forden
Sobre: Não sei como a história da Gucci ainda não virou um filme. Só isso que eu digo.
Tem versão em português? sim
Preço: a partir de R$ 15 + frete na Estante Virtual
The Battle of Versailles: The Night American Fashion Stumbled into the Spotlight and Made Historylivro-battle-of-versailles
Autor: Robin Givhan
Sobre: Livro de estreia de uma das minhas jornalistas de moda preferidas. Eu ainda não comecei a leitura, mas ele trata de um episódio engraçado na história da moda e também pouco abordado. Givhan volta a 1973, na noite em que a rigorosa e elitista Alta Costura de Paris enfrentou os recém chegados americanos em uma noite de gala em Versailles. Vencedora do Pulitzer Prize, ela explora com leveza e muito conhecimento, os jogadores de cada lado do campo.
Robin conta sobre Eleanor Lambert (1903-2003), um nome pouco ouvido hoje em dia, mas que mudou a indústria da moda nos EUA, estabelecendo a primeira semana de moda de Nova York, em 1943, e também o CFDA (Council of Fashion Designers of America). Em um almoço com o curador de Versailles, surgiu a ideia de um evento para angariar fundos em que cinco estilistas franceses e cinco americanos se apresentariam na mesma noite. Do lado francês, Hubert de Givenchy, Pierre Cardin, Emanuel Ungaro e Marc Bohan, da Dior. Do lado americano, Anne Klein,  Stephen Burrows, Halston, Bill Blass e Oscar de la Renta, mostrando uma moda livre, com modelos negras, movimentos rápidos e atitudes que ninguém havia visto antes. E desde esse encontro, o mundo da moda nunca mais foi o mesmo.
Tem versão em português? sim
Preço: R$ 44,90
A Economia da Moda: Por que hoje um bom modelo de negócios vale mais do que uma boa coleçãolivro-a-economia
Autor: Enrico Cietta
Sobre: Segundo livro do consultor italiano, pode ser util a estudantes, profissionais e jovens empresários. Em 10 capítulos, ele aborda a moda e seus custos, o tempo e a moda, os riscos, cadeias de valor, os multicanais e a transformação digital, o desafio das empresas se tornarem sustentáveis e explica fenômenos horrorosos como o do trabalho escravo, além de explicar por que o sucesso no mercado depende hoje mais do modelo de negócio de uma empresa. Cietta narra com clareza as mudanças estruturais do setor, levando em conta três elementos que se tornaram fundamentais no negócio da moda: o tempo, o risco e os custos.
Tem versão em português? sim
Preço: R$ 59,90

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