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“Doença não é uma metáfora. A maneira mais verdadeira de encarar uma doença — e o jeito mais saudável de estar doente — é o jeito mais purificado e mais resistente ao pensamento metafórico”, escreveu Susan Sontag em seu ensaio A Doença como Metáfora. No documento, a crítica e escritora analisa os riscos de reduzir o valor de uma doença e da dor.
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O resgate desse texto de 1976 acontece porque o documentário Gaga: Five Foot Two, disponível na Netflix, gira em torno não apenas da cantora pop, mas de sua fibromialgia, uma síndrome de dor crônica em diversos pontos do corpo sem causa aparente. Durante a uma hora e 40 minutos do longa, relacionamentos carreira, família e fama também são abordados. Por baixo de ambas as tramas, há mais coisas que valem nota.
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Quem é fã da cantora vai lembrar que durante grande parte de sua carreira ela usou o imaginário médico durante a construção de sua imagem: clipes com cadeiras de rodas, aparições públicas com muletas e letras de músicas que fazem referência a injeções intravenosas. Mais recentemente, o single “The Cure” fala sobre cura de forma indireta. Gaga sempre performou sua própria vida, e o novo álbum, Joanne, assim como o documentário, exibem as vulnerabilidades da cantora ao máximo.

Os relacionamentos da cantora e o preconceito da indústria fonográfica também são delineados de forma direta. Mesmo que a razão do término com seu ex-namorado Taylor Kinney não seja explícita, em uma cena muito comentada, ela afirma: “eu sinto que minha barreira para as besteiras dos homens é tipo… inexistente. Eu simplesmente não ligo mais.” Seja para o namoro ou para antigos administradores e companheiros de banda que destrataram o talento da cantora, é um ato de coragem exibir que não se importa.
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Até mesmo as diferenças com Madonna são abordadas de forma aberta. Historicamente, mulheres são colocadas umas contra as outras e, principalmente no mundo da música, as desavenças se transformam em lucro. Gaga afirma: é importante que as críticas sejam diretas e claras para que sejam justas — e não apenas comentários feitos através da mídia.
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Um dos pontos mais angustiantes é observar Gaga tocando a primeira música do álbum, Joanne, para sua família. Joanne, a tia para quem todo o disco é dedicado, é uma artista que morreu de lúpus aos 19 anos em 1974. “Ver o que essa situação fez com a minha família foi a coisa mais forte que experimentei enquanto crescia”, conta ela no filme. Lady Gaga se sente como Joanne, e ao mesmo tempo experimenta a dor do ponto de vista de seu pai, que viu a irmã partir. Enquanto ela toca a música, o pai sai do quarto por não conseguir lidar com a delicadeza da situação. Ela pergunta para a avó (mãe de Joanne, também no quarto) se ela acertou com a composição. Apesar de responder que sim, ela pede que Gaga não seja sentimentalista sobre o assunto.
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As dores de Gaga, físicas ou mentais, assim como as dores de muitas mulheres ao redor do mundo, muitas vezes foram desconsideradas ou fetichizadas. Durante o cancelamento de suas duas tours mundiais — em 2013 e em 2017 — pronunciamento e imagens de sofrimento não foram suficientes para que o público acreditasse. Quando se trata de uma pop star, a dor se transforma em drama.
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O destaque do filme é que ele é sobre a dificuldade de Gaga de performar e continuar sua carreira enquanto segue sua saga médica. Não é apenas sobre fama, relacionamento ou família. As imagens não tentam passar um significado maior sobre os acontecidos. Ele é sobre ser honesta consigo mesma e com o mundo, e sobre como criar um álbum que representa suas dores. Mesmo que a vulnerabilidade das estrelas esteja em voga — como Selena Gomez e Adwoa Aboah já demonstraram –, isso não torna o ato de exibir suas dores de forma artística e literal em algo menos corajoso.
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Em seu Instagram, Lena Dunham — que também vive com dor, causada pela endometriose — elogia o documentário falando sobre a forma como Gaga exibiu ao mundo suas dores. “É praticamente impossível expressar o presente que é Gaga: Five Foot Two. Esse filme é um dos filmes com mais atos de rebelião feminina que você irá presenciar. […] Como mulher com uma imagem pública, uma hora sou considerada uma voz corajosa, outra uma idiota desinformada e reclamona. Gaga rejeita as caixas em que foi colocada“, começou a atriz e roteirista de Girls. Ela finaliza com um pedido benéfico para todas as mulheres: “a melhor coisa que podemos fazer agora é existir de forma autêntica e sem desculpas. Rejeite as narrativas impostas a você, e escolha viver sua própria aventura.





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