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Quando a gente assiste uma novela de época, que mostra personagens com roupas mais gastas, com aparência de sujas, não temos ideia de como elas são feitas.
Na verdade, as roupas não estão sujas, mas sim, receberam tratamentos especiais para ter a aparência que a trama pede.
OFuxico conversou com a figurinista Thanara Schönardie, da novela Velho Chico, da Globo, para saber detalhes sobre as peças que aparecem em cena.
Ela nos contou sobre o tratamento para que fizeram para que o figurino tenham uma aparência mais usada.
“Para o núcleo dos Rosa, pilares da justiça e verdade na história, fizemos a adequação de cores e vivência no cenário da própria fazenda. Montamos uma pequena estrutura de tingimento e costura e levamos todas as roupas para a casa dos personagens, penduramos nas paredes dos cômodos, janelas das varandas, estendemos sobre as camas... No que destoava, fazíamos as interferências ali mesmo, com as pedras e terra do lugar. Levamos da fazenda para o ateliê baldes com diferentes cores de terra que havia em volta da fazenda para misturarmos com cera e envelhecermos as roupas. Penduramos tudo no varal e enquanto o vento se encarregava de deixá-las empoeiradas, o sol queimava a cor dos tecidos”.
O trabalho para compor os figurinos começou com as personagens Iolanda (Carol Castro), Leonor (Marina Nery) e Encarnação (Selma Egrei).
“No figurino de Leonor, usamos muita flor e chita com estampa colorida. Os tecidos estampados foram colocados em camadas e ganharam volume. Já Iolanda representou a busca pela identidade brasileira, uma linguagem da tropicália, ela usou mais decotes e a roupa ficou bem mais estruturada no corpo”.
Os chapéus também precisaram de cuidados especiais, não só com a cor, mas também no jeito que cada ator coloca sua peça, atentando pelas marcas de mão e posicionamento do chapéu.
“Para os chapéus, deixamos expostos ao sol para que assumissem um aspecto de queimado, cores distintas e usamos outras técnicas de envelhecimento. Mas eles precisavam mais que envelhecimento, tínhamos que dar formas da cabeça. Cada personagem usa de um jeito. Tem a marca da mão, de acordo com a forma como ajeita o chapéu na cabeça”.
Na passagem de tempo, que começou na segunda-feira (11), a mudança seguirá sutil e alguns pequenos detalhes surgem em cena.
“Para alguns personagens as mudanças serão muito sutis, apenas na caracterização ou pequenos detalhes nos cortes das roupas que remetem ao período atual, para outros como Maria Tereza, o figurino apontará maiores transformações, porém elas estão muito mais relacionadas com as emoções que com o tempo e espaço onde vivem. 
Será um convite ao telespectador para um mergulho além das questões técnicas, atravessando a superficialidade das escolhas por determinada cartela de cores ou forma dentro de um período histórico,  contemplando as sensações evocadas pelas roupas de cada personagem”.
Praticamente as vestimentas terão uma certa continuidade.
“É a continuidade do que vem sendo feito desde a primeira fase, onde Encarnação vive em seu tempo emocional, envolta na austeridade do poder de uma época que se mantém viva em seus trajes, deslocada no tempo físico. Ainda na primeira fase, o mesmo aconteceu quando Maria Tereza foi para Salvador e continuou usando seus trajes de fazenda, momento em que ela foi arrancada de um espaço afetivo, impedida de realizar o seu amor”. 
Reprodução/TV Globo

De época, mas nem tanto

"Velho Chico" dá a impressão de estar estar perdida no tempo. Com seus turbantes e vestimentas de época, empregadas da novela estariam perfeitamente caracterizadas se estivessem em "Escrava Isaura". No entanto, o processo de abolição da escravatura já havia começado 80 anos antes com a Lei Áurea. A moda da trama parece ter ficado presa ao passado, ignorando novos hábitos e costumes
Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Novela fora da realidade

Ambientada no fim da década de 1960, a novela ignorou em seu início a popularidade de uma tecnologia que já havia chegado no Brasil há pelo menos 18 anos: a televisão. A TV Tupi já fazia história, com novelas como "Beto Rockfeller", a Record comemorava o sucesso da "Família Trapo" e até mesmo a Globo já havia iniciado sua transmissão, mas a família rica do coronel Afrânio não tinha um aparelho de TV. A bem da verdade, a decoração da sala não condizia com o tempo em que se passava a primeira fase da novela - mais parecendo um antiquário, com velhos gramofones e um telefone de disco
Reprodução e Caiuá Franco/Globo/Divulgação
Reprodução e Caiuá Franco/Globo/Divulgação

Mesma pessoa?

O bom vivant, mulherengo e estudante de direito, que se viu obrigado a assumir os negócios da fazenda com a morte do pai, se transformou em um autoritário e debochado coronel. As mudanças de Afrânio foram além do cabelo (de encaracolado para liso) e do estilo de roupa, mas afetaram a própria personalidade do personagem. Como notou Flávio Ricco, do UOL, a impressão que dá é que o ator Antônio Fagundes não assistiu aos capítulos com Rodrigo Santoro - e se assistiu, não se importou nem um pouco em mudar radicalmente o jeito do personagem
Reprodução/Rede Globo
Reprodução/Rede Globo

Azul ou verde?

Um aparente erro de continuidade da novela fez os telespectadores ficarem confusos. Em uma sequências de cenas, Antônio Fagundes surge ora usando um paletó azul ora verde. A direção da trama não notou a gafe, mas o público percebeu e alertou o colunista Maurício Stycer, do UOL, sobre o casacão "bicocolor" do coronel
Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Dá pra acreditar?

Na primeira fase, Maria Tereza deveria estar na faixa dos 16 anos. Vinte e oito anos depois, a atriz Julia Dalavia sai da cena para entrar Camila Pitanga no lugar da personagem, que na trama já teria 44 anos. Muito inverossímil, levando-se em consideração que Pitanga está com 38 anos. Mais surreal ainda pensar que a personagem tem um filho de 28 anos, apenas 10 anos a menos do que a atriz na vida real. Curiosamente, Letícia Sabatella, que desistiu de participar da novela, tem os exatos 44 anos de Maria Tereza

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